23.11.08

Antecipe seu Natal!!

Uma reflexão sobre marketing, consumismo, crise financeira e o verdadeiro sentido do Natal

O comércio luta pelo lucro. Crise? Enquanto ela não afeta diretamente o bolso do consumidor brasileiro, empenham-se os marqueteiros e especialistas em publicidade e propaganda em provocar nas pessoas o desejo de ir às compras! Fala-se em crise: empresas demitindo funcionários ou submetendo-os a férias coletivas, queda em investimentos de risco... No entanto, assim como em todas as outras épocas e datas comemorativas, o incremento do marketing se faz importante e evidente: o natal está chegando, e é momento de aquecer os lucros. Sempre foi assim, independente da situação econômica.

Nesses parâmetros, fiquei curiosamente acompanhando quando se iniciariam as primeiras propagandas natalícias nos meios de comunicação. Elas vieram à tona no início do mês de novembro. Mas, qual seria o discurso das mesmas, afinal convencer alguém a gastar, gastar e gastar em momentos de preocupação com a crise internacional não se configurava tarefa fácil. A solução? Enfrentar a crise, segundo alguns deles. Outros, antecipar o desejo antes que a crise chegue. Que ousadia, pensei!

Entre os proponentes da declaração de guerra a crise, slogans do tipo “Aqui a crise não tem vez”, ou “Guerra Declarada a crise: vai enfrentar ou correr pra debaixo da mesa?” chamou minha atenção. Lembrei-me então de algumas medidas de contenção, de economia, cortes de gastos, de mudança de rumos propostas pelos grandes investidores mundiais, bancos e governos de diversos países. Ora, tais medidas visavam alertar para a necessidade de se poupar, ou então de escolher um tipo de investimento que oferecesse melhor rentabilidade com segurança, e não propostas de aquisição de bens e de gastanças. Parei então pra pensar na irresponsabilidade de tais propagandas, pois, embora a nossa realidade seja diferente da dos países desenvolvidos, tudo pode acontecer. Mas o mundo materialista é assim, e o consumismo desenfreado tornou-se uma doença crônica da sociedade ocidental.

Porém, o que me levou a refletir de maneira mais realista foram as propagandas propondo a antecipação do natal. Cheguei a conclusão de que a ousadia dos marqueteiros superou os limites da imaginação! Slogans como “Antecipe seu natal”, “Venha para o maior natal do Brasil”, ou ainda “Ainda é novembro, venha realizar já seus mais lindos sonhos de natal” se tornaram comuns. É só ligar a televisão, ouvir o rádio, folhear revistas e jornais ou acessar sites na internet. Está lá pra quem quiser ver e ouvir!

Imaginemos que este blog detenha os direitos sobre a existência do natal. De que o natal deste blog seja o único capaz de realizar os maiores sonhos das pessoas, ou que ele seja de fato o maior natal do Brasil. Imaginemos ainda que pra “entrar” nesse natal proposto, o internauta deva pagar certa quantia, ou que tenha de fazer parte obrigatoriamente de um clube de associados, ou coisa semelhante. Resultado: haverá aqueles que terão acesso de fato ao natal proposto, porém muitos outros nem se quer poderão participar. Foi essa situação que passei a refletir no meu dia-a-dia.

Que todo esse merchandise em torno do natal é fictício e fantasioso é obvio, porém retrata a atual situação e disposição mental e espiritual das pessoas. Em busca da satisfação do ego para preencher um vazio existencial, as pessoas estão constantemente buscando alternativas para se sentirem felizes e realizadas. Então, nada melhor do que, apesar de tempos de crise, alimentar o sentimento das pessoas de que aquilo que elas procuram pra suas vidas está de fato a disposição de uma forma bem simples: na aquisição de um produto. Claro, graças ao marketing forte!

Sabe o que é mais sério nisso tudo? Do outro lado da realidade daqueles que, apesar de ansiosos por causa de uma crise que nos ameaça a todos os instantes, existe uma outra realidade. A realidade daqueles que nem se quer poderão comemorar o natal. Sim, são velhos, adultos, jovens e crianças, que vitimadas pela distribuição desigual de renda em um país tão socialmente infeliz, nem precisarão se preocupar com a crise das bolsas, pois nem mesmo emprego possuem. São vidas que, mesmo sabendo que dia 25 é natal, não poderão antecipá-lo, e muito menos comemorá-lo com festas, banquetes ou presentes.

Estava lendo um e-mail circular onde amigos de associações filantrópicas convidavam seus leitores a procurar as agências dos correios a fim de conhecerem as grandes quantias de cartas, principalmente de crianças que foram enviadas para Papai Noel, a fim de se tornarem os papais-noéis desses pequeninos. O e-mail dizia: “Você pode começar com uma pequena doação. Há crianças pedindo, por exemplo, um panetone, outras pedindo blusa de frio para a avó que passou o último inverno sem ter se quer um agasalho pra se proteger do mal tempo”. Em outras palavras, poderia afirmar que o natal proposto pela publicidade, não é um natal acessível a todos.

Existe esperança? Sim existe. Esperança inclusive de vitória para quem se propor a lutar contra a crise. Tem jeito de antecipar o natal, tem também.

Crise é uma palavra que resume muito bem uma série de conflitos que estamos enfrentamos nestes dias pós-modernos. Vivemos não apenas uma crise financeira de alcance mundial. Estamos a enfrentar crises de diversas modalidades: de identidade, moral, espiritual, existencial... Talvez possamos dizer até que a crise financeira, em seu âmago, é conseqüência de todas essas crises. Sim, a especulação, a corrupção, a desvalorização da vida são abismos que chamam outros abismos. Precisamos enfrentá-la.

A antecipação do natal proposto pela propaganda é um mero conceito humano de realização pessoal que se escoa já no dia 26 de dezembro. Vai embora junto com a data. Em outras ocasiões, há casos em que ela não voltou mais. Porém, em seu sentido pleno, o nascimento de Cristo, o natal propriamente dito, em relação a data proposta, não se realiza apenas no dia 25. Ele pode acontecer a qualquer hora, data, local ou ocasião. Já ouvi dizer de pessoas que, a beira da sepultura de entes queridos puderam experimentar essa realidade. Como? Deixando Cristo nascer em seus corações. Se hoje, dia 23 de novembro, você deixar Cristo nascer dentro de você, a antecipação do natal será muito mais prazerosa do que o 25 de dezembro. Certo escritor fez questão de dizer que, em relação ao natal, mesmo que Cristo tivesse nascido mil vezes em Belém, nada adiantaria se não tivesse nascido em seu interior!

Consumismo. Crise. Preocupação. Só O Cristo ressurreto pode apresentar a melhor alternativa. E sem usar técnicas dos marqueteiros! Ele é especialista nas relações humanas, e o fato de ter nascido, vivido, sofrido e morrido pelo homem reforça a esperança de que virá ao nosso encontro quando O chamarmos.

Você está disposto a isso? Então, enfrente as crises existenciais que você está sofrendo, e antecipe de fato o natal verdadeiro em sua vida. Só assim você poderá realizar os seus maiores sonhos e desejos!

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