13.2.09

O Legado dos Pioneiros e Líderes da AD [1]


Missionário Otto Nelson

Para iniciar a série de tratados biográficos dos pioneiros e líderes do movimento pentecostal brasileiro, publico um breve comentário biográfico do Missionário Otto Nelson – um cidadão sueco que realizou no estado das Alagoas um dos mais profícuos trabalhos evangelísticos do país.


Otto Nelson nasceu na Suécia, em uma casa de campo da zona sul do país, a 11 de agosto de 1891. Em sua tenra infância, imigrou para os Esta­dos Unidos por razões de trabalho. Lá decidiu-se para Cristo e recebeu o batismo no Espírito Santo. Orientado por Deus e recém-casado com Adina Petterson, viajou para o Brasil em 1914. Começou seu trabalho de evangelização em Belém do Pará. Em seguida, tra­balhou na obra do Senhor nos estados de Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro. Nelson chegou com a família em Maceió a 21 de agosto de 1915, a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro. Quando chegou, havia apenas seis pessoas que tinham recebido a mensagem pentecostal na cidade. No dia 25 de agosto, qua­tro dias após sua chegada, reuniu-se com aque­les irmãos para cultuar ao Senhor, ocasião em que três deles foram batizados no Espírito Santo. No início, Deus já confirmava a obra que iria fazer através de seus servos.

Porém, da mesma forma como bem cedo co­meçaram a se manifestar as bênçãos de Deus en­tre o pequeno grupo, as perseguições e ameaças começaram. Satanás mobilizou todas as artima­nhas para desencorajar o povo de Deus em Maceió. Porém, quando verificou que as amea­ças não atemorizavam, enviou falsos profetas com mensagens desanimadoras. Quando o povo estava reunido para adorar a Deus, os falsos pro­fetas, do lado de fora, gritavam: "Não vai, não vai, isso não vai". Queriam dizer que o trabalho ali não iria prosperar. Durante alguns anos, ninguém queria se apro­ximar dos crentes. Muitos os evitavam. Enquanto isso, os crentes se aproximavam de todos e, com graça e amor, semeavam as Boas-Novas.


Em 22 de outubro de 1922, Otto Nelson inau­gurou o terceiro templo da AD no Brasil e o maior da denominação na época. Sua inauguração re­percutiu em todo o Nordeste e atraiu para Maceió crentes de vários estados.

De 21 a 28 de outubro de 1923, Nelson reali­zou a primeira Convenção da AD em Alagoas, com a presença de irmãos e líderes de todo país. Por esse tempo, morreu um dos filhos do missionário, que naquela época residia no bairro de Bebedou­ro, em Maceió. Na hora de realizarem o enterro foram surpreendidos com a informação de que o sacerdote católico romano não permitia que a cri­ança fosse sepultada no cemitério local. Além de se opor ao enterro, levantou a população contra os pregadores do Evangelho. Foi necessária a inter­venção das autoridades para que o enterro fosse realizado. E isto só pôde acontecer à noite, sob escolta policial, pois de outra forma não poderiam enterrar o menino.

Em 1924, quanto toda a capital alagoana foi castigada por uma tremenda inundação que arra­sou e arrastou na correnteza casas, pessoas, ani­mais e móveis, Otto Nelson abriu suas portas para abrigar os crentes que perderam suas casas.

Em maio de 1930, o missionário entregou o pastorado da igreja a Algot Svenson e viajou para a Bahia. Lá, o trabalho também foi muito difícil. Seis meses de esforços foram necessários para realizar o primeiro batismo, com apenas quatro pessoas. "Aqui em Salvador ainda não podemos dar novas de grande progresso do trabalho, mas temos seme­ado a boa semente, e a temos regado com as nos­sas orações", escreveu Nelson. Tempos depois, tudo se modificou, de forma que os batismos se sucede­ram e a igreja cresceu.

Otto Nelson não cuidava só do trabalho na ca­pital. Sua visão alcançava o interior do Estado. Em duas semanas em Valente, no município de Coité, mais de 20 pessoas aceitaram a Cristo. Treze pes­soas foram batizadas nas águas e foi aberta ali uma congregação.

Nesse período, foi convidado pelos irmãos de Aracaju a oficializar a igreja sergipana, que ainda estava sendo formada. Em 18 de fevereiro de 1932, Otto Nelson chegou a Sergipe, inaugurou e oficia­lizou a nova igreja, que ficou filiada à AD em Sal­vador até 1949, quando ganhou autonomia; bati­zou seis novos convertidos (a igreja ali só tinha 11 crentes na época) e celebrou a primeira Ceia do Senhor no Estado.

Durante seis anos, o missionário serviu à igreja baiana, a princípio na capital, e depois em todo o Estado. Em 1936, a igreja já estava em condições de promover sua primeira convenção estadual. Esse fato foi muito signifi­cativo e atestou o pro­gresso do Evangelho na Bahia. Nos dias 27 de abril a 3 de maio de 1936, a igreja em Salvador hospedou a primeira Convenção da AD na Bahia, que também foi muito con­corrida. Na ocasião, Otto Nelson deixou o pastorado da igreja para viajar à Suécia. Assumiu seu lugar o pastor Aldor Paterson
.
Em 1938, Otto Nelson viajou para Flores, em Buenos Aires, capital argentina, onde assumiu uma igreja. Em 18 de setembro de 1945, assumiu o pastorado da AD em São Cristóvão, no Rio de Ja­neiro, sendo substituído em 1947 por missionário Nels Nelson. Tempos depois, foi a Montevidéu, Uruguai, dar continuidade à obra de Deus ali. Foi neste último país que dedicou boa parte do seu labor no fim de sua carreira missionária.

Ao retornar à Suécia, apesar de sua longa ida­de, gozava de perfeita saúde e em pleno vigor con­tinuava a pregar a Palavra de Deus, viajando por todo país. Otto Nelson partiu para o descanso eter­no descanso eter­no em 5 de dezembro de 1982, aos 91 anos.
Foto: Otto Nelson e família

Um comentário:

  1. Ah, quem dera fôssemos todos como o missionário Otto...que homem dedicado e exemplar.
    As lutas foram grandes, mas o ministério cresceu e está aí para continuar o desejo de Deus: atrair o homem para o amor expresso através da cruz!!!
    A cada nova postagem, um excelente conhecimento! Parabéns, irmão Sidnei! Quem dera todos os blogs cristãos tivessem esta mesma excelência...
    Fique na paz do Senhor Jesus.

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