22.8.09

A falência da "institucionalização" da vida cristã


“Eis que estou a porta e bato...” Apocalípse 3:20


Sidnei Moura


Recentemente publiquei por aqui uma postagem onde manifestei minhas impressões sobre o livro “Por que você não quer mais ir a igreja?” de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, da Editora Sextante, onde os autores propõem a idéia de que a vivencia do cristianismo em comunidades fora do atual modelo institucional de igreja que conhecemos pode ser mais produtivo. Em meu comentário, explicitei a minha opinião, dizendo que o rompimento institucional não é o caminho apropriado e nem a solução de muitos problemas que enfrentamos hoje dentro da instituição cristã, seja ela qual for, mas que a solução seria a vivência da essência do cristianismo bíblico, centrado nas escrituras dentro de nossas instituições, igrejas e convenções, e a mudança de paradigmas para nossa vida pessoal e particular.
No entanto, estamos vivendo dias difíceis. Se por um lado existem movimentos e modismos propondo o fim das organizações cristãs em nome da vida em comunidade como único modelo capaz de suprimir os eventuais problemas do cristianismo moderno, existem aqueles que de outro lado, embora estejam dentro da instituição cristã organizada, não vivem a essência da vida cristã na sua plenitude.
Para esses, a instituição organizada serve de “defesa” a fim de serem justificados, são eles pregadores, conferencistas, líderes, cantores e membros “reconhecidos” pelo sistema em que estão inseridos, e por isso contam com a garantia de transito livre em nossas congregações, igrejas, púlpitos e seminários. De acordo com o Pr. Altair Germano, Estamos cheios de verdadeiros artistas, pregando, profetizando, presidindo, cantando, tocando, vivendo mediocrimente e institucionalmente, não experienciando a verdadeira vida, dirigida, sustentada e alimentada pela Palavra, manifesta numa consciência tranquila, num coração em paz com Deus.
Assim, chegamos a conclusão de que se faz necessário uma retomada espiritual dos exemplos dos primórdios da igreja, a fim de que sigamos o seu exemplo de vida para que a vontade de Deus se concretize em nossas vidas, e que Cristo seja o centro das nossas instituições, igrejas, convenções, e de nossa própria vida.
Enquanto pensava nessa realidade, lembrei-me de algo que li já a algum tempo sobre o fim da segunda guerra mundial, e faço questão de reproduzir abaixo:
Após os terríveis dias de combates no front da segunda guerra mundial, os prisioneiros de guerra e os soldados que sobreviveram puderam finalmente retornar para casa. Chegando, bateram a porta de seu lar. Quando a esposa abriu, houve centenas de casos em que o homem que voltava percebeu, pelo olhar de sua mulher que nem mais era esperado – que nem se contava mais com ele. Muitas vezes até outro homem já tinha tomado o seu lugar. Durante anos, esse prisioneiro ou soldado tinha esperado por tal momento, talvez até orado por ele e estava cheio de esperança. Agora, se encontrava tremendo diante da porta da própria casa. Sua mulher abriu a porta - e ele teve que reconhecer que ela nem esperava mais por ele.Talvez ela tenha achado que a demora fora demais. Aquilo pelo que ele tinha sofrido, talvez até mesmo derramado seu sangue, e esperado com grande amor, todas as maravilhosas recordações - repentinamente tudo foi eliminado. Ele se encontrava diante de sua propriedade, mas ela não lhe pertencia mais, e ele estava na rua.
Acredito que em alguns casos, Cristo se sente em relação a sua igreja da mesma forma como esses prisioneiros e soldados – dentro de algumas instituições, igrejas, convenções, ministérios, e até mesmo dentro de muitos cristãos, Cristo já perdeu sua preeminência. Me refiro aqueles que pensam que pelo fato de estarem dentro das boas graças de uma instituição cristã estão seguros, imunes e “liberados” da vida comprometida com a essência do evangelho. Me refiro aos propositores de um novo evangelho, como o da Teologia da Prosperidade e de outras heresias, além é claro do farisaísmo barato cuja plataforma é manifesta por meio daquilo que conhecemos por legalismo. Para esses, o que falta apenas é a supressão da cruz de Cristo, e por isso, Ele está do lado de fora, da vida e da instituição, embora “cristã”.
Porém, ainda há tempo. Ele está batendo na porta. É interessante que até mesmo os atuais escândalos do evangelicalismo se configuram em advertências a fim de que não sejamos as próximas vítimas. E para aqueles que abrirem a porta, a promessa é espetacular: existe algo mais especial do que cear com o próprio Deus?

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