13.12.09

Bíblia Dake é retirada de circulação




Assim que tomou conhecimento dos erros doutrinários contidos na Bíblia de Estudo Dake, editada e distribuída pela CPAD – Casa Publicadora das Assembléias de Deus em parceria com a Editora Atos (SP), o presidente da Convenção Geral, pastor José Wellington Bezerra da Costa convocou os membros do Conselho de Doutrina e da Comissão Apologética para examinarem seus desvios doutrinários.




O presidente do Conselho de Doutrina pastor Paulo Roberto Freire da Costa e pastor Esequias Soares da Silva, da Comissão de Apologética e demais membros componentes destes órgãos se reuniram na sede da CGADB, no dia 18 de novembro, juntamente com representantes da Casa e deliberaram sobre o assunto.



Dentre os erros que os comentários apresentam o pastor Esequias Soares, mostrou um exemplo numa das assertivas de Dake: “Um Deus com corpo físico, tangível, com corpo, alma e espírito limitada que não pode ocupar dois lugares ao mesmo tempo, como qualquer ser humano”.



Pastor Esequias, explica que este e outros desvios doutrinários encontrados nestes comentários “são resultantes de interpretações literais de linguagens figuradas nas inúmeras passagens bíblicas das manifestações antropomórficas e momentâneas que Deus fez de si mesmo e das declarações também antropomórficas registradas na Palavra de Deus” O pastor Paulo Freire explicou que não há como suprimir idéias do autor pois “trata-se de um pensamento que norteia todo o texto e não se tratando de casos isolados”



Eles decidiram orientar a editora a suspender imediatamente a venda da Bíblia de Estudo Dake e também que seja feita a recolha das que ainda não foram vendidas.




Apresentada pela CPAD como “a principal fonte de consulta dos pregadores pentecostais” e divulgada como uma ferramenta “revisada com todo rigor teológico e doutrinário” a Bíblia de Estudo Dake gerou confusão e divergências no contexto das Assembleias de Deus no Brasil.


Após forte divulgação nos principais periódicos da CPAD, bem como na internet anunciando a “chegada da maior bíblia de estudos já vista em língua portuguesa”, resolvi reler alguns capítulos do livro “Cristianismo em Crise” de Hank Hanegraaff, também publicado pela Casa. Em minha leitura anterior, minha memória havia registrado algumas informações sobre Finis Dake, e pelo que me recordava, Hanegraaff o apontava como precursor das atuais ondas de modismo relacionados ao Movimento da Fé, Saúde e Prosperidade nos EUA no que tange a interpretações fantasiosas e heréticas, seus principais proponentes, e que mais tarde ganhariam o mundo, chegando também por aqui. Foi quando me deparei com informações que traziam preocupação. A gravidade das heresias presentes na obra a tornavam, segundo Hanegraaff como “o maior compêndio de heresias” já publicado nos EUA. Infelizmente, ela acabou por aportar também por aqui, e por incrível que pareça na editora da denominação que mais tem combatido pela pureza doutrinária no meio pentecostal! È obvio que as ferramentas como mapas e outros recursos são de boa qualidade, no entanto não se pode aceitar uma obra apenas por parte de seu conteúdo ser proveitoso como nesse caso específico: o que a editora publica é imediatamente atrelado a imagem da denominação!


Em 27/07/2009 direcionei alguns questionamentos sobre a BED ao teólogo e pastor Silas Daniel em seu blog, e na qualidade de Editor Chefe de Jornalismo da CPAD ele falou em nome da editora, reafirmando que o que fosse contrário a doutrina e teologia assembleiana seria suprimido em nome do rigor teológico. O que na prática, como podemos observar, não aconteceu, apesar das peças publicitárias da editora garantirem que isso havia acontecido. Ao receber as respostas do nobre pastor Silas, a quem tive o privilégio de conhecer na edição do Encontro GeraçãoJC em São Paulo em setembro de 2008, publiquei imediatamente por aqui as considerações apresentadas, o que acabou repercutindo no blog oficial da UBE, e consequentemente foi disseminado por toda blogosfera evangélica.


Há algumas informações presentes na bíblia que relutei em acreditar que haviam “passado” pelo “Conselho de Doutrina” da CPAD (todas as obras publicadas pela CPAD trás a seguinte informação: Aprovado pelo conselho de Doutrina, que provavelmente é um conselho próprio, se é que existe, e não o mesmo da CGADB), tais como as questões envolvendo a doutrina da trindade e da natureza de Deus. Enfim, devido a sua maior penetração na igreja do que os demais materiais, e após manifestações de blogueiros, pastores e pregadores da denominação, o Pr. José Wellington convocou o Conselho de Doutrina para avaliar a questão, chegando ao denominador comum de que a retirada de circulação da BED era indispensável e urgente.


O Conselho de Doutrina da CGADB mais uma vez cumpriu seu papel como moderador das posições teológicas tomadas pela denominação com muita maestria. Não seria para menos, todos somos conhecedores da idoneidade dos pastores Paulo Freire e Esequias Soares no que diz respeito a defesa da ortodoxia teológica e doutrinária. Quem não se lembra do posicionamento do Conselho em relação aos modismos de Boston disseminados por Ouriel e companhia?


No entanto, não se pode calcular os estragos e prejuízos espirituais e doutrinários que a BED pode ter causado, ou que ainda causará, afinal os estoques não serão queimados pela CPAD – já há até um vantajoso desconto no valor da BED no site da CPAD, embora o conselho tenha recomendado suspensão das vendas e recolhimento dos exemplares nas livrarias.


Acho que o Conselho deveria ter apresentado uma espécie de “moção de advertência” a CPAD, afinal um empreendimento dessa natureza não pode mais ocorrer. Por ser a editora oficial da denominação, vender um produto como “revisado com rigor teológico” e depois ter de recolher e suspender as vendas por conteúdo teológico questionável é vergonhoso, e aponta não apenas descuido com a defesa da doutrina, mas também como negligencia editorial. Se havia posição definida em relação ao conteúdo teológico da obra, no mínimo deveriam ser apontados e comunicados nos principais órgãos da editora, como revistas e periódicos em geral, e não uma defesa cega do produto, como se ninguém fosse capaz de “enxergar” tais desvios.


Concluindo, o que a Casa publicou e realizou até aqui com (excessão da BED) a colocou em um nível de confiança além do que qualquer outra editora no país possui,e como assembleianos acreditamos que o ocorrido não se repetirá. Não podemos negar que a comissão editorial, a diretoria, bem como seus colaboradores são pessoas idôneas, e por isso, mantém compromisso com o Reino. Que o fato sirva para nosso aprendizado, pois é errando que aprendemos – e o mais importante que errar é reconhecer e admitir. Errar é humano, e quem se arrepende alcança remissão.

10 comentários:

  1. retirar o que não vendeu é mole , quero ver os caras idenizar (trocar por outra bíblia que fale a verdade do evangelho, as que ja foram vendidas).
    ou sera que vão deixar quem ja comprou ficar usando algo falso que eles mesmo fizeram???
    sera que vão ficar pensando somente nos lucros da empresa ou vão se importr mais com a salvação dessas pessoas????

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  2. Moacir,

    Os produtos editados pela CPAD são produtos de qualidade editorial e teológica confiáveis. Creio que o ocorrido não se repetirá, pois acredito no compromisso, profissionalismo e respeito da Casa. Obrigado pela visita.

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  3. OOOOOOOba!!!! Obrigado!!!
    Já enviei um e-mail!
    bjos!

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  4. Katinha,

    Eu sou quem agradeço pela sua visita, e por ser minha seguidora. Espero que goste da leitura assim que ele chegar, e aproveito também para parabenizá-la pelo seu blog excelente!!

    Bjos!

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  5. E agora o que fazer com todos os que compraram a bíblia? Tivemos referencias de pessoas importantes da C.P.A.D., essas referencias nos levaram a pagar um valor até alto para adquirí-la.
    Eu quero crer que foi um deslize ainda que grave, mas que será corrigido, é uma questão de honra.

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  6. Pr. Nill,

    Em minhas exposições pela blogosfera nesse meu espaço qquanto em outros blogs fiz questão de deixar claro que em nenhum momento fui contra a publicação da Bíblia, mas apenas em manifestar meu repúdio a forma como ela foi apresentada nas peças publicitárias da editora como livre de erros doutrinários e teológicos.

    Já que a bíblia de fato não foi recolhida, e continua sendo sucesso de vendas pelo site da CPAD espero que os pastores, professores de escola dominical e obreiros e membros em geral despertem-se para o fato de que nem tudo o que é publicado pela editora oficial da denominação é isento de erros ou teologicamente revisado, e desta forma, evitar disseminar as falsas doutrinas presentes na obra como verdades bíblicas.

    Infelizmente já pude assistir a um pregador que baseou todo seu sermão nos pressupostos da Dake, apresentando as ideias alí contidas como "novas reflexões" para a igreja do século XXI - lamentável!

    Abraço, e obrigado pela visita e interação!

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  7. Anônimo,

    Não sou de rejeitar comentários de anônimos, mas gostaria de reiterar a você que as minhas críticas ao processo de publicação da Dake pela CPAD tem por objetivo apenas contribuir no processo de discussão do tema, e de maneira alguma denegrir a imagem da CPAD, como afirmei no post.

    Eséro contar com sua visita novamente como também seus comentários, porém peço que da próxima vez apresente-se.

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  8. Só ressaltando que eles não recolheram as Bíblias. Ela permaneceu sendo comercializada normalmente pela CPAD, até meados de 2010. Provavelmente até os estoques baixarem a ponto do prejuízo ser menor.

    Não se iludam, a Bíblia Dake voltará ao mercado através de alguma outra editora.

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  9. Michel Torres,

    Pelo que parece a Bíblia Dake passou a ser responsabilidade direta da Editora Atos, uma editora independente que não é ligada a nenhuma denominação.

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  10. Me parece que foi na bíblia drake que o pr. Marco Feliciano se baseou para falar bobagens sobre negros, o que já o descredenciava para qualquer cargo numa comissão como a de Direitos Humanos, além disso a posição dos evangélicos sobre os homossexuais tem sido muito mal explicada, daí sermos confundidos com os HOMOFÓBICOS. Só espero que ele saia logo daquela Comissão para acabar de vez a vergonha que estamos passando.
    Raul C. Barcelar

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