23.8.10

Exageros em nome da fé [1]

Fui acordado na noite que se passou por um barulho ensurdecedor. A princípio pensei que fosse mais uma das brigas familiares de um dos meus vizinhos. Olhei no relógio, e já passava de meia noite e meia.

Ainda meio que "sonâmbulo", não consegui entender o que estava acontecendo na casa de um dos vizinhos : o barulho era bastante forte: gritos, pancadas no chão e também nas paredes. Assustado, levantei-me e fui até a cozinha tomar um copo de água, e enquanto caminhava pelo corredor pude compreender melhor os sons que vinham, embora não conseguisse ainda precisar se dos fundos, da frente ou dos lados. 

Não acreditei no que estava acontecendo: Em uma das casas adjacentes a minha, um grupo de "evangélicos" produziam aquele barulho infernal, que provavelmente já teria acordado os demais vizinhos com aquele som "veemente e impetuoso". Os sons emitidos alí oscilavam e eram de todas as especies que se pode imaginar: gritos, choros, palmas, pancadas nas paredes e no chão, tudo junto e misturado a cantorias e profecias. Tentei fixar minha atenção para tentar compreender o que estava acontecendo, e pude deduzir que um grupo de crentes estavam realizando na casa de um dos meus vizinhos uma reunião de oração, quem sabe uma "vigília", e ali reunidos em altas horas, davam vazão a um comportamento sobre o qual provavelmente terei de ouvir os reclames durante o dia de hoje, e quem sem dúvida alguma causarão escândalo e murmuração entre os inimigos do evangelho, produzindo assim tropeço para o reino de Deus.

Não é a primeira vez que sou testemunha de algo semelhante. Durante longo tempo no evangelho tenho sido testemunha dos mais variados movimentos e comportamentos exagerados e exacerbados em nome da fé evangélica que apenas serviram para desencaminhar. Línguas estranhas, profecias, cânticos e outros tipos de manifestações pessoais como pulos, socos, agitações e uma série de outras bizarrices em locais errados e em horario nada apropriado  invadiram a mentalidade de cristãos desprovidos do conhecimento divino sob o pretexto de "deixe Deus te usar" e de outros jargões em nada compatíveis com as escrituras, com os bons costumes, com a ética e com o domínio próprio tão valorizado por Cristo e por seus apóstolos.

Devo salientar que nada tenho contra as manifestações espirituais circunsncritas nos padrões neotestamentários. Sou testemunha de sua eficacia no uso e presença no seio da igreja cristã. Nada tenho contra reuniões de orações em lares - foi em uma simples visita evangelística que fui alcançado pelo evangelho - e tive a oportunidade de participar de muitas delas até mesmo como coordenador de equipe, pregador e orientador. No entanto, apesar da humildade e sinceridade da fé cristã, ela não nos conduz ao comportamento de meninos inconstantes, mas a maturidade, a boa ordem e a decência.

Enquanto a bagunça acontecia durante as altas horas da noite de domingo para essa segunda feia ao lado de minha residência, quando a maioria dos meus vizinhos eram acordados por aquele som veemente e impetuoso, fiquei pensando no que poderia responder se algum deles viesse me questionar, e me senti muito mal ao pensar nessa possibilidade: o que responder? Depois de refletir sobre o assunto, cheguei a conclusão de que devemos estar preparados para o que der e vier, inclusive quando a fé é posta a prova.

A partir deste post pretendo iniciar uma série de comentários sobre experiências vividas no âmbito da experimentação da espiritualidade - fatos de que fui testemunha na caminhada cristã, experiências vividas e observadas que propõem a cada um de nós a oportunidade de refletirmos sobre os propósitos cristãos para os quais fomos chamados. Convido você a refletir comigo, e partilhar também suas experiências pessoais.

Pelo evangelho puro e simples,

Sidnei Moura


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