24.1.11

"BBB" promove revival da "Lei de Gerson"

Se você conseguir sacanear seus companheiros, se dá bem e descola uma grana. Essa lógica perversa é levada ao pé da letra no "BBB11", que criou o cargo de "sabotador". É exatamente isso. A pessoa ganha uma missão que pode ser fazer seu time perder um jogo (ou seja, ser X9) ou deixar seus "amigos" sem comida. Se você conseguir ser sacana sem ninguém perceber, leva um prêmio de R$ 10 mil. 

Se o "BBB" imita o mundo, podemos pensar que eles adotaram de maneira mais que literal a lógica da "puxada de tapete". O sabotador e outros atos de falta de ética são o assunto do momento na casa. Sim, porque além do cargo oficial da "sabotagem", a produção do programa não para de colocar os participantes em situações em que eles são obrigados a sacanear os outros. Uma delas dita o paredão que acontece amanhã. 

Mauricio recebeu a missão de escolher entre os participantes uma pessoa que ficaria 17 horas em uma solitária. Ou seja, ele precisava mandar alguém para a prisão. Não titubeou e, sem cara de pena, votou em Michelly. E assim arrumou uma briga com Natalia, amiga da moça. Mais que natural. Qualquer ser humano normal discutiria com alguém que mandou seu amigo para a "prisão". Mauricio pagou pelo "mal". Os dois discutiram e Natalia, líder da semana, não pensou duas vezes em mandá-lo para o paredão (e você faria diferente?). 

O sabotador também se ferrou. O polêmico Diogo recebeu a ordem de trancar uma das dispensas da casa e deixar parte do grupo sem comida (pode existir missão mais "do mal"?). Traçou um plano. E, na maior cara de pau, tentou cumprir a tarefa quando "ninguém estava vendo" para descolar a tal graninha. Foi pego. Ganhou o ódio dos participantes. Mas será que eles fariam diferente? Será que não vale a pena deixar seus amigos com fome para arrumar um trocado? 

A produção do programa traz de volta a "Lei de Gerson", aquela que ficou famosa em tempos tristes do Brasil e que dizia que "o importante é levar vantagem em tudo". 

Não deu certo, nesse caso. Diogo também foi parar no paredão. Impossível não pensar em um "bem feito" para os dois. Mas será que a culpa é deles? Será que algum participante do programa seria capaz de dizer não para a produção e falar que se recusa a mandar alguém ser preso? Impossível imaginar tal cenário. De certa forma, o "BBB" obriga os jogadores a chutarem a ética para o lixo. 

E eles também não parecem muito preocupados com isso. Até agora, ninguém se recusou a tentar "sabotar" e deixar de lado os R$ 10 mil. Triste um programa de TV fazer a gente lembrar que ainda tem muita gente que acha que o mais importante é "levar vantagem em tudo". E que a "Lei de Gerson" não morreu.

Nina Lemos - Folha Ilustrada

2 comentários:

  1. Dê ao povo o que o povo gosta. A audiência do BBB diz tudo. Novela, carnaval e futebol: o que mais é preciso? Enquanto o brasileiro se ocupa com algo fútil, dizendo que odeia política, quem gosta de política os domina e suga todo seu suado dinheiro.
    Que país é esse?

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  2. Nando,

    Desabafo registrado!
    Obrigado pela visita e pelo comentário!

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