16.2.11

Cruzadas modernas – a luta pela extinção da espiritualidade cristã, pela morte de Deus e pelo sepultamento da liberdade de opinião pelos movimentos GLBTs nas sociedades democráticas

Recentemente participei de uma discussão na internet que tratava sobre questões relacionadas a homossexualidade e religião. O pivô da discussão foi a publicação de um post por um homossexual declarado e engajado que, dentre outras colocações, evocava justiça contra o “Deus da bíblia” por ter cometido crimes e pecados contra a comunidade homossexual. Em suas palavras, esse “deus” merecia pagar pelo que fez. Resolvi então entrar na discussão de forma amistosa, e num primeiro post declarei minha discordância por acreditar que o Deus da bíblia nada tinha a ver com tais crimes, mas que sim homens em seu nome sem sua chancela haviam tomado a injusta decisão de cometer crimes, pecados e perseguições contra minorias em nome de Deus. Para tanto, enfatizei o amor do Deus da bíblia, bem como sua disposição em aceitar as pessoas em todo e qualquer lugar sem distinção, e sem fazer acepção dessas pessoas.

Dando continuidade a discussão, o autor do primeiro post que evocava justiça contra o Deus “homofóbico” resolveu usar outro caminho para a discussão. Após afirmar que esse “Deus da bíblia”  era uma farsa para ele, questionou a veracidade dos relatos bíblicos apontando uma aparente contradição bíblica. Em sua colocação, vi que se tratava de um artifício para fugir do embate das idéias representado pela minha resposta a sua evocação de justiça, e que apesar de apontada tal contradição ele não dispunha de conhecimento bíblico suficiente para questioná-la. Foi ai que, mantendo uma postura polida, educada e acima de tudo amistosa propus-lhe uma verificação mais apurada – não se pode criticar algo, independentemente do que seja sem prévio conhecimento – apresentando-lhe a verdade de que eventuais contradições na bíblia apontada por céticos não resistem ao teste da veracidade, e que muitas vezes tais contradições não passam de boatos formulados por uma má compreensão do texto, interpretação indevida ou até mesmo problemas relacionados a tradução do idioma.

Apesar de toda a minha disposição e amistosidade em manter o debate no campo das idéias de forma equilibrada e com a intenção de contribuir de forma racional, o debatente resolveu definitivamente abandonar a discussão das idéias, e estimulado por outros participantes do debate passou a avacalhar, transformando um bom papo em uma manifestação de desapreço, zombaria e esculhambação - um dos participantes chegou a propor de forma implícita uma ameaça, evocando a possibilidade de denúncia por conteúdo impróprio. Na tentativa de retomar o controle da situação resolvi reagir de forma positiva a alguns dos participantes, que juntamente com o debatente não dispunham de argumento sólido sobre a bíblia, o que levou-os a baixar o nível taxando-me de sério demais e tenso. Quando se despertou para o fato de que não possuía argumento suficiente para o embate, o debatente resolveu apelar dizendo que não havia se referido a “essência” mas sim ao deus desenhado na bíblia por judeus e cristãos. Foi quando cheguei a conclusão de que não valeria a pena continuar debatendo com quem não estava com a mesma disposição, intenção e propósito, que era a de travar um papo sério, equilibrado e esclarecedor sobre o assunto.

É importante observar que a grande maioria dos engajados na luta contra a homofobia através de movimentos sociais, paradas, desfiles e propostas de leis no congresso nacional, bem como no uso das novas mídias e nos meios de comunicação em massa não lutam apenas em defesa de direitos civis e sociais, muitos deles na verdade estão travando uma nova cruzada, desta vez contra toda e qualquer manifestação de religiosidade, mais especificamente da religião cristã,  e principalmente contra o direito e liberdades de expressão de quem pensa diferente. O propósito de muitos não é nada mais do que a instituição de uma verdadeira mordaça.

Um popular programa de TV recentemente entrevistou um ícone sexual da sociedade moderna – uma personagem que foi motivo das mais variadas discussões no meio televisivo e midiático em geral por ter optado pela transsexualidade. Após a entrevista, o apresentador propositalmente compromissado com o projeto da emissora em dar sua contribuição a luta desses novos movimentos, com tom crítico aos que possuíam opinião diferente tentou passar ao seu público a imagem de que a questão da aceitação ou não da sexualidade das pessoas nasce com o indivíduo, e portanto, não se trata de uma opção. Nada mais longe da verdade como essa infeliz declaração. Está mais do que comprovado que a aceitação da sexualidade, bem como sua vivência esta definitivamente ligada a opção, e em alguns casos no máximo a formação da pessoa como indivíduo na sociedade. Em outras palavras, a definição da sexualidade de um indivíduo é definida pelo comportamento adquirido através da decisão de ser ou não ser (ninguém nasce homossexual, a idéia é geneticamente inconcebível), e ainda em sua formação familiar (embora não seja desculpa para escolha da orientação sexual, a desestruturação familiar pode causar seqüelas emocionais cuja tentativa de superação não devidamente coordenada pode culminar em aquisição de transtornos de identidade). Para essa questão, não será esse post que esgotará o assunto, que por sua complexidade exige um espaço maior em uma  oportunidade programada.

Concluindo, a pós-modernidade está sendo dia a dia marcada por novas cruzadas. Na idade média elas eram feitas em nome de Deus contra “bruxas” e “hereges” de todas as modalidades possíveis – desde os que falavam a verdade aos que nada tinham com o sistema, incluindo tudo aquilo que fosse alheio a ideologia dominante. Hoje, as cruzadas tem por finalidade a extinção da espiritualidade, dos valores, da morte de Deus e do conseguinte sepultamento das liberdades de opinião e expressão nas democracias e estado de direito, agora não em nome de Deus, mas em nome da ignorância, que fundamentada no discurso dos modernos movimentos GLBTs se apresentam como um caminho cada vez mais perigoso para a sociedade.

Sidnei Moura

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