4.3.11

O Vaticano e a responsabilização dos judeus pela morte de Cristo

Jesus é interrogado por Pilatos


Uma decisão histórica tomada pelo papa Bento XVI no dia de ontem (03/03) sobre a responsabilidade dos judeus pela morte de Cristo chamou a atenção da comunidade internacional, de cristãos e de judeus ao redor do mundo. Em uma declaração oficial, o Vaticano divulgou em nota que, após reflexão baseada nos textos dos evangelhos, Bento XVI chegou a conclusão de que não há apoio teológico para a responsabilização do povo judeu pela crucificação, sofrimento e morte de Jesus Cristo, tese defendida arduamente pela igreja católica até o ano de 1965, mas que foi totalmente rejeitada agora em texto publicado pelo papa em um documento que será transformado em livro e publicado em 7 idiomas em todo o mundo. Trata-se de um tratado de reflexões sobre vida, sofrimento e paixão de Cristo, e de  acordo com o texto, embora os líderes religiosos da época tenham entregado Cristo a morte, o povo judeu como um todo não pode ser teologicamente responsabilizado pela morte de Jesus, o que torna o antissemitismo teologicamente incompatível.

O longa Amén
É de conhecimento de todos que a responsabilização dos judeus pela morte de Jesus foi um dos dogmas mais cruéis defendidos pela igreja durante a idade média e séculos posteriores, e provavelmente o maior responsável pelo surgimento do antissemitismo em todo o mundo, preconceito esse que culminou no massacre de milhares de judeus em fogueiras e cruzadas cristãs na idade média em toda a Europa. Como se não bastasse, é notável que a manutenção de tal dogma foi fator preponderante também no silencio da igreja em relação ao holocausto nazista na 2ª guerra mundial, quando mais de 6 milhões de judeus foram eliminados em toda a Europa, ocasião em que a força política da igreja poderia ter amenizado o sofrimento de judeus em campos de concentração e talvez até uma reviravolta no comportamento das demais nações frente a sua eliminação em massa, uma oportunidade perdida pela igreja de defender  a dignidade da vida e de mostrar seu desprendimento em relação ao nazismo. Há até fontes que ligam o silencio da igreja a uma conexão de interesses nada ortodoxos, temática amplamente debatida em pesquisas e discussões sobre o tema, e que gerou uma série de repercussões inclusive no cinema (o filme Amen do diretor Costa Gavras  produzido em 2002 explorou a temática de forma espetacular, o que o tornou para muitos o filme mais polêmico sobre a igreja).

É importante salientar que não foram todas as vertentes do cristianismo que declararam como dogma a responsabilização dos judeus pela morte de Cristo. Enquanto os ramos ortodoxos do cristianismo católico optaram pela neutralidade, alas do cristianismo protestante reformado e de outros movimentos protestantes defenderam não só apenas a nulidade de tal decisão, como apoiou os judeus em causas históricas como na ocasião do Holocausto e na fundação de seu estado soberano. Dentre tais movimentos destacam-se segmentos conservadores dos batistas, presbiterianos, metodistas, e dentre os movimentos modernos principalmente o pentecostalismo clássico que tem sua maior representatividade na igreja evangélica brasileira. Além de defender os direitos e interesses dos judeus frente ao holocausto e a fundação de seu estado atual, tais segmentos são responsáveis pela defesa de Israel nos dias atuais, seu direito de existência como nação soberana e domínio sobre seus territórios, bem como a indivisibilidade de Jerusalém como sua capital.Tais segmentos do protestantismo moderno defendem que no futuro Israel terá restaurado seu papel entre as nações como povo de Deus, tornando-se centro do culto e da adoração divina.

Embora a decisão de derrubar a responsabilidade dos judeus pela morte de Cristo tenha sido oficialmente apresentada em 1965, a fundamentação teológica da derrubada do dogma demorou muito para ser assumida pela igreja – o mesmo deveria ter sido feito há muito tempo. No entanto, foi uma atitude louvável, e o reconhecimento dos judeus será efervescente, bem como dos segmentos protestantes que tem como bandeira o apoio ao estado de Israel e aos judeus em todo o mundo.

Concluindo, como cristão convicto entendo que a responsabilidade pela morte de Cristo não é específica de um povo – a partir do momento em que o próprio Cristo afirmou ter por missão alcançar a humanidade com seu gesto de amor e substituição, a responsabilidade é de cada pessoa, de cada um dos seres humanos, o que suprime automaticamente qualquer tipo de fundamentação de preconceito como o antissemitismo. No entanto, constitui-se como uma responsabilidade que não exige punição, e sim reconhecimento. Abraçar os princípios de amor e dignidade da vida propostos por Cristo é um bom início para a retomada do reconhecimento e de retribuição a esse amor apresentado por Ele, amor este que excede todo entendimento. 

Um comentário:

  1. Depois de 2000 mil anos esses malditos nazistas e anti-semita vem dizer que os Judeus não tem culpa da morte de jesus, depois que incrustaram milênio de intolerância no povo,executando milhões de dos filhos de patriarca YAAQOV que também é ignorante que nunca leu no novo testamento que o próprio jesus disse aos seus discípulos que deveria morrer para ser considerado o messias, em varias passagens ele declara isso.Alias quem que escreveu o tal novo testamento que contradiz a TORÁH a qual o O PAI ETERNO entregou a MOSHÉ; será que os papas de hitler ou dos inquisitores, o papa do isis,hezbollah, al qaeda,ou fetisteus(palestinos), moabitas(romanos),edomitas(árabes),amonitas(gregos), não perca a conta isso é um terço dos inimigos dos filhos de ISRAEL;Alias na tal de cruz não estava escrito:"jesus o rei do judeus" Como os judeus iriam matar seu rei? E se ele lia as escrituras(A TORAH)na sinagogas sim porque o tal novo testamento só foi começar ser escrito 70 anos após a morte de jesus,ele era o que egípcio?QUE O BRAÇO FORTE DO ETERNO CAIA SOBRE OS EXECUTORES DE SEU POVO POR TODOS ESSES SÉCULOS."SHEMA ISRAEL ADONAI ELOHEINU ADONAI ECHAD"

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