8.3.12

A dignidade feminina resgatada pelo cristianismo


Gutierrez Siqueira

A França proibiu o uso de burcas no espaço público. A burca é uma vestimenta feminina muçulmana que cobre todo o corpo, inclusive os olhos com uma fina tela de pano. Este texto não é sobre a polêmica proibição do governo frânces, mas sim para falar como a fé cristã libertou as mulheres de muitas opressões. 

Costumamos ouvir dos secularistas radicais que toda desgraça no mundo é culpa do Cristianismo, mas eles esquecem os grandes benefícios civilizatórios trazidos pelos cristãos no decorrer dos séculos. As feministas, por exemplo, detestam a fé cristã considerada por elas como machista. O teólogo Timothy Keller escreveu sobre a nova visão feminina advinda com o Cristianismo primitivo:

Esta declaração pode surpreender muitos leitores que ouviram dizer que religiões mais antigas e o paganismo tinham uma visão mais positiva quanto às mulheres do que o Cristianismo. Era extremamente comum no mundo greco-romano livrar-se de bebês do sexo feminino deixando-os morrer por exposição às intempéries, devido ao status inferior das mulheres na sociedade. A Igreja proibiu seus membros de praticar tal ação. A sociedade greco-romana não valorizava as mulheres sem marido, e era ilegal uma viúva levar mais de dois anos para casar-se novamente. O Cristianismo, porém, foi a primeira religião a não obrigar as viúvas a se casarem. Elas eram sustentadas e respeitadas dentro da comunidade para que não sofressem uma pressão exagerada para arranjar outro marido. As viúvas pagãs perdiam todo o controle sobre o patrimônio dos maridos falecidos quando voltavam a se casar, mas a Igreja permitia que as viúvas mantivessem o patrimônio do marido falecido. Finalmente, os cristãos não acreditavam em coabitação. Se os homens quisessem viver com uma mulher, eram obrigados a casar-se com ela, o que provia muito mais segurança a estas. Igualmente, o duplo padrão pagão de permitir aos homens casados patricarem sexo extraconjugal e ter amantes era proibido pela Igreja. Como todas essas diferenças, as mulheres cristãs gozavam de segurança e iguadade muito maiores do que aquelas pertecentes à cultura ao redor [KELLER, Timothy. A Fé na Era do Ceticismo: Como a Razão Explica as Crenças Divinas. 1 ed. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2008. p. 210]

E o coitado do apóstolo Paulo? Ele é tido como machista até por crentes analfabetos de Bíblia. No capítulo 7 de I Coríntios, o apóstolo deixa bem claro que o prazer sexual deve ser mútuo entre o casal, não sendo nada forçado. Portanto, o marido não pode obrigar sua esposa a fazer uma relação que ela não quer e vice-versa: 

O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio (v. 3-5 NVI).

Esse é um texto de dois milênios. É um texto falando que o homem tem responsabilidade com sua mulher, da mesma forma que a mulher tem para o seu marido. Não foi algo escrito na década de 1960, mas sim no primeiro século da Era Cristã. Não é um texto machista e nem feminista, pois são dois extremos autoritários. É um texto equilibrado. 

E os maridões que sempre lembram: “A Bíblia manda a mulher ser submissa ao seu esposo”. É verdade, está lá em Efésios 5.22, escrita por Paulo. Mas será que esse povo esquece o contexto? Vejamos:

Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne". Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja. Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito. (v. 25-33).

Pergunto: A mulher teria dificuldade de respeitar um homem que a ama sacrificialmente? A relação é de equilíbrio. Não distorçam a Bíblia para machismo ou feminismo. O Cristianismo é o resgate da mulher. E olha que nem comentei a relação de Jesus Cristo, o homem-Deus, com as mulheres, incluíndo sua mãe.

Um comentário:

  1. Respeitar é uma coisa, que os dois devem ter, é mutuo, agora obedecer marido, ser subserviente, ele decidir em tudo, e você, só pelo fato de ser mulher, ter sempre que renunciar a sua vontade e seus gostos, isso é MACHISMO DO GROSSO, OPRESSÃO MESMO, e infelizmente, com conhecimento de causa, é o que mais se vê no meio cristão,

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