9.6.12

A satisfação de comemorar uma decisão acertada


Sidnei Moura

Nada melhor depois de algum tempo do que olhar para trás e convencer-se definitivamente de que a decisão tomada foi a melhor coisa a fazer diante de uma situação específica! É exatamente essa sensação que tenho hoje, nove de junho de 2012.

Não sei se você teve uma experiência parecida, mas para mim foi uma decisão difícil de ser tomada e por essa razão exigiu  atitude. Já faz alguns anos e logo depois de tomá-la eu sabia que era a decisão correta, mas por estar  sujeito a falhar como todos mortais confesso: temi, e por algumas vezes me preocupei com as consequências da decisão. Fui pressionado: pessoas até do meu círculo íntimo como amigos e parentes não “aprovaram” logo de cara a minha decisão. Mas eu tinha certeza de que estava certo – havia tomado minha decisão com base na razão, e não nas emoções, e por esse motivo acreditei que, embora naquele momento as coisas não parecessem tão claras como desejava, o tempo se encarregaria em torná-las compreensíveis.

Há momentos de nossa existência em que situações exigirão de nós posições claras, firmes e autênticas, e são nesses momentos em que a grandeza do ser humano se manifesta de forma contundente. O celebrado escritor francês Albert Camus foi feliz ao fazer a seguinte declaração a respeito dessa realidade: "A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana." Ele tinha toda razão! Ter atitude e exercer de forma autêntica nossa prerrogativa de decidir é acima de tudo uma forma autenticamente correta de celebrar nossa humanidade, e de automaticamente  adquirir experiência e tornarmo-nos pessoas melhores.

Decidir não é e nunca foi tarefa fácil para os humanos, afinal é na decisão que os destinos são devidamente decididos, e definitivamente traçados. Decidir é uma tarefa a se realizar diante de situações que exigem de nós uma atitude de resolução: como tal espera-se que para uma decisão acertada haja reflexão sobre causas e consequências, a fim de que a posteriori não hajam frustrações ou desilusões – assim como olhar para trás e convencer-se de que a decisão tomada foi acertada provoca satisfação e tranquilidade, decisões tomadas sem o devido cuidado podem manifestar-se depois por meio de situações desanimadoras.

Sobre essa realidade, o fundador do cristianismo em um de seus sábios discursos aos seus seguidores titubeantes foi muito claro ao enfatizar a disposição do homem em decidir e exercer a decisão de forma autêntica. Ele disse:

“Qual de vocês que, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar?”

Ora, se cabe a nós decidirmos aquilo que de fato queremos, cabe a nós fazermos de forma responsável e acertada. Mas como saber se a decisão a tomar é a melhor opção para a situação que nos encontramos? Como podemos inferir do próprio texto evangélico citado acima, boas decisões são tomadas a princípio por pessoas definitivamente calculistas – ser calculista no sentido literal da palavra refere-se a saber exatamente aquilo que se pretende em gênero, número e grau – isso é atitude. Nesse quesito, o palestrante americano Anthony Robbins declarou de forma enfática que “a verdadeira decisão é medida pelo fato de que você tomou uma atitude. Se não houver atitude, então você realmente não decidiu.” Só depende de nós mesmos!

Em segundo lugar, qualquer cálculo definitivamente bem resolvido sofrerá com pressões internas e externas a fim de que seja alterado pela “força da natureza”. Estar diante de situações específicas nos expõe a alguns tipos de intempéries que devidamente reconhecidas são possíveis de serem contornadas quando se tem por propósito mudanças benéficas, que embora radicais,  resultem em resultados satisfatórios. Ainda que incompreendidos por outras pessoas muitas vezes do nossos próprios círculos de amizade e da família, usar nosso poder de decisão nos dará a capacidade de superar qualquer obstáculo para mudar nossas vidas de forma incrivelmente reveladora.

Finalmente, e não menos importante, as decisões humanas em qualquer que seja a área devem ser tomadas dentro de um contexto racional, e nunca emocional. Decisão exige mudança de rumos, de comportamento, de ponto de vista, mas principalmente de vontade própria. Emoções existem para serem sentidas, experimentadas e vividas, enquanto que o papel da razão é o estabelecimento e estabilização da harmonia entre propósitos, causas e consequências. Assim, se a emoção superar a razão no processo de decisão, dificilmente se alcançara êxito nas mudanças traçadas e desejadas.

Decisões acertadas baseadas em atitudes responsáveis representam mais do que simples mudanças de vida e de projetos – refletem de forma definitiva aquilo que somos e pensamos. Como afirmou com brilhantismo o escritor americano Neale Donald Walsch, “Toda decisão que você toma - toda decisão - não é uma decisão sobre o que você faz. É uma decisão sobre Quem Você É. Quando você vê isso, quando você entende isso, tudo muda. Você começa a ver a vida de um modo novo. Todos eventos, ocorrências, e situações se transformam em oportunidades para fazer o que você veio fazer aqui."

Sempre estive certo dessa realidade desde quando tomei a decisão a qual me referi no inicio desse texto. E lhe confesso: não há nada mais estimulante do que estar certo de que tomei a decisão certa mesmo depois de algum tempo. Espero que você também experimente essa realidade hoje e sempre!

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