9.1.15

Charlie Hebdo: sátiras de religião, terrorismo, preconceito e covardia moral

Nova capa do semanário Charlie Hebdo traz Maomé chorando

"As religiões, como todas as outras ideias, merecem críticas, sátiras e, sim, nossa falta de respeito e medo. Este totalitarismo religioso provocou uma mutação mortal no coração do Islã cujas consequências se viu hoje [ontem] em Paris. Estou com Charlie Hebdo, como todos temos de estar para defender esta arte da sátira, que sempre foi um motor da liberdade e contra a tirania, a desonestidade e a estupidez" 

Salman Rushdie

"Há precisamente 26 anos, o aiatolá Ruhollah Khomeini, sem ler "Os Versos Satânicos" de Salman Rushdie, condenou o escritor à morte por ofensas ao Profeta e ofereceu US$ 1,5 milhão a quem executasse o serviço. Khomeini está morto, Rushdie está vivo e os otimistas afirmam que, na luta entre a escuridão e a luz, a luz acabou por vencer. Os otimistas estão errados. Para começar, a "fatwa" de Khomeini continua válida sobre a cabeça de Rushdie. E, depois, mesmo em 1989 não faltaram escritores ocidentais que, entre a escuridão e a luz, optaram pelas trevas. Passaram-se 26 anos, sim. Mas, esteja lá onde estiver, o aitolá Khomeini pode olhar cá para baixo e sentir-se orgulhoso com a descendência que deixou. O clima de medo que ele inaugurou contra Rushdie acabou por derrotar a coragem e a razão do Ocidente. [...] Mas o Ocidente chegou a um tal ponto de covardia moral e miséria intelectual que qualquer crítica sobre o Outro será sempre um "preconceito" —e, pior que isso, um crime. Melhor não dizer nada." 

João Pereira Coutinho

"É óbvio que não existe uma relação necessária entre Islã e terrorismo. É óbvio que bilhões de muçulmanos só querem viver em paz. É óbvio que transformar uma religião inteira em antro de malignidade é uma expressão de racismo. Mas também deveria ser óbvio [...] duas ou três ideias que até uma criança entende sem esforço. A primeira é que a relação entre Islã e terrorismo não é feita pelos ocidentais. Ela começa por ser estabelecida pelos próprios terroristas – aqueles que afirmam matar em nome do Profeta. Isso pode ser injusto para a religião islâmica. Mas a injustiça da identificação é cometida pelos próprios terroristas muçulmanos. Constatar esse fato não é uma forma de "islamofobia". É simplesmente constatar um fato." 

João Pereira Coutinho

*Os trechos acima foram extraidos do jornal Folha de S.Paulo.

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