11.5.16

Eis a profecia

Rodrigo da Silva

Eis a profecia.

O governo irá cair. Os cineastas irão protestar. Os funcionários públicos pelegos também. Os políticos com rabo preso e os ministros que não querem largar a boquinha seguirão pelo mesmo caminho. Líderes do movimento sem-teto abrirão passeatas, a partir de suas casas. E serão seguidos pelos líderes do movimento sem-terra, em seus caminhões.

Todos irão às ruas: sindicalistas que não trabalham, estudantes que não estudam, professores que não ensinam, jornalistas que não informam, economistas que não pesquisam, intelectuais que não pensam, eruditos que não leem, revolucionários que não lutam contra o regime.

A rua será uma coleção dos mais diversos tipos. Terá de tudo. Blogueiros independentes dependentes do governo, artistas contra a Globo que não protestam para sair da sua folha de pagamento, progressistas que combatem o progresso, políticos de partidos proletários que não recebem os votos dos trabalhadores, reitores em defesa da democracia simpáticos a ditaduras de esquerda, religiosos comunistas, humoristas sem graça, representantes fidedignos da cultura popular que os populares desconhecem, consumistas críticos da sociedade de consumo, ideólogos isentos, rebeldes defensores do status quo, formadores de opinião que ninguém conhece, líderes de plebeus de classe média alta.
Todos com o mesmo objetivo: defender o governo. 

E não sem razão. Todos lucrando em torno de um projeto que agiganta o Estado, concedendo benefícios, privilégios e dividendos a eles mesmos - uma casta de nobres que sobrevive graças à grana fácil dos pagadores de impostos, em sua imensa maioria gente simples. De uma elite de funcionários oficiais e semi-burocratas que demoniza a diminuição dos gastos e das atribuições estatais, criando monstros neoliberais invisíveis, manipulando a opinião pública, pregando a benevolência altruísta e romantizando teorias políticas e econômicas que se provaram desastrosas no último século, apenas porque isso se traduz em manter seus privilégios e suas contas em dia. E tudo isso com o apoio de parte de uma juventude lobotomizada em sala de aula.

Todos desavergonhadamente contraditórios, incoerentes e paradoxais: pretensos líderes de uma intelligentsia nacional cada vez mais entorpecida pela ignorância, partidários da histórica corrente política do farinha pouca, meu pirão primeiro.

Fonte: Spotniks

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