Balé diplomático do Brasil e dança de quadrilha na ONU

Caio Blinder Coce a cabeça ou, em um esforço maior, faça acrobacia mental para entender os malabarismos da política externa brasileira nas Nações Unidas. Na semana passada, em três votações sobre violações dos direitos humanos em um comitê da assembléia-geral da ONU, o Brasil votou assim: abstenção nos casos do Irã e Mianmar e condenação da Coréia do Norte. Falta de coerência, pois estão aí três países consistentes no prontuário de direitos humanos. São três países torturados por regimes delinquentes. Eu não vou fazer muita acrobacia mental. O balé diplomático está mais para dança de quadrilha, pragmatismo criminoso e interesses circunstanciais. E o Brasil não está sozinho nesta dança. Naquelas três votações, a Índia, o outro emergente do bloco Bric com um regime democrático, se mal comportou assim: não condenação para Mianmar e abstenção para Irã e Coréia do Norte. Os EUA e um montão de “decadentes” países ocidentais votaram “sim” nos três casos. A Índia tem seus negócios e cálculos...