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Mostrando postagens com o rótulo Reflexão

Crise de confiança, renovação da política brasileira?

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Paço municipal de São Carlos - sede do poder executivo Humberto Laudares O mundo está sofrendo de mal-estar. E a falta de confiança na política é uma das causas disso. Na medida em que as pessoas não se sentem representadas, cresce a manifestação individual ou de grupos que externam suas opiniões e visões de mundo – das mais interessantes às mais repugnantes – no palco digital hoje à disposição de todos. Há no ar uma sensação de que estamos em um processo de mudanças, sendo, entretanto, impossível prever sua direção ou tamanho. O universo político ainda não se acomodou a essa nova realidade, embora seja constantemente desafiado por ela. A classe política parece encastelada diante desse mundo mais conectado, mais inquieto e mais exigente. Um mundo em que cresce a percepção da desigualdade econômica e do distanciamento dos políticos. É como se os governos e parlamentos estivessem a serviço de meia dúzia de endinheirados ou de ratazanas da política. O terreno para populis...

O início da campanha eleitoral e a oportunidade de mudanças

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Plenário da Câmara Municipal de São Carlos: quem serão os ocupantes das 21 cadeiras da próxima legislatura? Sidnei Moura Começa hoje a campanha eleitoral para vereadores e prefeitos em todo o território nacional. A partir da data de hoje são permitidas as ações de campanha nas ruas com panfletagem, carros de som e visitas aos eleitores. A partir do dia 26, a campanha eleitoral começa também na TV e no rádio com os programas dos candidatos de todas as cidades. Tudo normal, você pode estar pensando, afinal estamos acostumados com a repetição desse processo a cada dois anos. Porém,a campanha eleitoral de 2016 e todo o processo eleitoral poderá se apresentar como um divisor de águas, iniciando um novo ciclo na história política brasileira. Como é do conhecimento de todos, as regras do jogo mudaram: a campanha está mais curta, os gastos estão limitados e não é mais permitido o financiamento das campanhas por meio de doações de empresas. Por outro lado, a nova legislação abriu u...

O advento da humildade

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Tim Keller Inúmeros teólogos, estudiosos e admiradores ressaltam as circunstâncias humildes do nascimento de Jesus: entre pastores, num tosco estábulo, um cocho servindo de berço. Quando Jesus tentou resumir por que as pessoas deveriam tomar a sua cruz ao segui-lo, disse que era por ele ser manso e humilde (Mt 11:29). Raramente, no entanto, exploramos todas as implicações da humildade radical de Jesus para nosso viver diário. A humildade é crucial aos cristãos. Só podemos receber Cristo por meio da mansidão e humildade (Mt 5:3,5; 18:3,4). Jesus humilhou-se a si mesmo e foi exaltado por Deus (Fl 2:8-9); portanto, a alegria e a força por meio da humildade é a verdadeira dinâmica da vida cristã (Lc 14:11; 18:14; I Pe 5:5). O ensino parece simples e óbvio. O problema é que precisamos de muita humildade para entender a humildade e de muito mais para resistir ao orgulho que vem tão naturalmente com a discussão deste assunto. Estamos num terreno escorregadio, pois a hu...

O presente comunista de Evo Morales

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Sidnei Moura Independente da reação do Papa Francisco ao receber das mãos de Evo Morales um crucifixo talhado sob uma foice e um martelo em madeira, e das reais intenções de Morales em oferecer o presente, o fato é que historicamente o comunismo está para o cristianismo o que o nazismo está para o judaísmo. Acredita-se que o comunismo foi a ideologia mais sanguinária de todos os tempos, gerou os regimes mais totalitários que o mundo já conheceu e condenou à tortura, à morte e à ignomínia milhões de cristãos por simplesmente declararem a sua fé em Jesus de Nazaré. É notório em todos os lugares por onde Francisco passa os motivos de ter sido escolhido como sumo pontífice: a igreja parece sinalizar uma aproximação com setores que por séculos foram relegados à margem, e se de um lado há conservadores incomodados com a "descaracterização" da igreja, de outro lado setores mais progressistas encaram esse novo momento como uma expressão de vitalidade e dinamismo da instituiç...

Uma origem, dois destinos - a história de um menor infrator poupado pela inimputabilidade penal

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Flavinho foi um adolescente infrator poupado pela inimputabilidade penal, mas não escapou da "justiça das mãos de outros" Flavinho e eu nos tornamos  amigos por intermédio de nossas mães: elas se conheceram quando ainda eram solteiras, e por um longo tempo não mais se encontraram. Eu, com 10 anos, fui o segundo filho de dona Maria, e ele, com 12, era o primogênito  de  dona Helena. Por coincidência, elas se reencontraram depois de tanto tempo e descobriram que seriam vizinhas – dona Helena em pouco tempo seria a moradora da maior e mais bonita casa da minha rua que acabara de ser construída, enquanto  nós pagávamos  aluguel na mais simples casa do quarteirão de um bairro periférico de São Carlos. A família dele era a única a possuir um carro em nossa rua, e sua mãe, cabeleireira, logo instalou nas dependências de sua residência o que se tornou o primeiro “salão de beleza” da região. As mulheres adoraram! Fiquei feliz em saber que além de vizinhos,...

Demagogia e políticas públicas de educação

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Sidnei Moura Observei  com bastante curiosidade o descontentamento de alguns petistas ao lerem na Folha desta segunda (8 de dezembro) entrevista do secretário municipal de educação de São Paulo afirmando que, embora o município tenha tomado no final do ano passado a decisão de suspender a progressão continuada de alguns anos no ensino fundamental, nem todos os alunos que apresentaram desempenho negativo durante o ano letivo de 2014 serão reprovados. Enquanto observava, lembrei-me do processo eleitoral deste ano em que o candidato petista Alexandre Padilha (que amargou o terceiro lugar entre os eleitores na corrida ao governo do estado) repetia com veemência que, uma de suas principais ações imediatas caso fosse eleito seria a revogação da progressão continuada nas escolas da rede estadual de São Paulo. Mesmo não suportando tanta demagogia, enquanto assistia ao programa eleitoral petista muitas vezes cai em gargalhadas com o discurso inflamado de Padilha, para quem a prog...

Integridade não religiosa

Ricardo Gondim Desde a adolescência, organizei a vida a partir de valores da religião. Frequentei e lecionei na escola dominical. Militei em grupos jovens. Me preparei para o exercício pastoral em um seminário. Caminhei pelos bastidores do mundo religioso. Sentei na roda de alguns notórios líderes brasileiros e ianques. Zeloso, sempre procurei cumprir com as exigências das instituições que participei. Se a igreja não permitia que mulheres cortassem o cabelo, briguei com a minha mulher. Se diziam ser pecado ir ao cinema, para evitar a aparência do mal e mesmo não concordando com a proibição, eu viajava para longe quando queria ver algum filme. Relevei disparates. Calei diante de incoerências. Dei as costas para hipocrisia. Eu considerava a causa de Cristo importante demais. Para não escandalizar, fiz vista grossa para muita ruindade. Abracei as instituições como divinas e acabei conivente. Não notei o caminho sinuoso do mercenário. Ingênuo sequer me dei conta dos intencio...

deus - status: desconectado

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Paulo Brabo Perto do final da vida o teólogo e ativista Dietrich Bonhoeffer começou a preocupar-se com o fato de que a compreensão cristã de Deus havia sido em grande parte reduzida ao status de uma muleta psicológica. Ele descreveu essa compreensão como um “ Deus ex machina ”. A expressão, que significa “deus proveniente de uma máquina”, refere-se originalmente a uma técnica usada na Grécia antiga, pela qual uma pessoa era descida ao palco através de um mecanismo, a fim de representar a entrada em cena de um ser sobrenatural. O processo, no entanto, ganhou uma má reputação quando muitos dramaturgos de segunda categoria começaram a usar esse artifício de modo indolente e arbitrário. Quando queriam matar um personagem, criar um novo desafio para o protagonista ou resolver um conflito do enredo, essas caras simplesmente arriavam um deus história adentro. Desse modo, o ser sobrenatural não era parte orgânica da história, mas uma presença intrusiva empregada unicamente para faz...

O fiel é Deus

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Antônio Flávio Pierucci O sociólogo da religião não pode continuar pensando que se pode fazer sociologia propriamente dita sem a crítica da "cultura capitalista", que passa pela crítica da economia capitalista. Quando uma igreja visa à maximização dos lucros e ensina seus quadros a fazerem o mesmo por ela e também para si mesmos, e exorta os conversos e seguidores a fazerem o mesmo, é sinal de que a lógica da esfera econômica colonizou a lógica da esfera religiosa. Com isso, a religião enfraquece sua principal conquista alcançada com a modernidade, que foi a autonomização das esferas da cultura, como ensinou Max Weber [1881-1961]. Volta atrás na história. Muitos sociólogos de hoje veem acertadamente a religião como mercado -mercado de bens de salvação-, mas já é mais que isso: há outras metas a alcançar, inclusive as de conteúdo material. No mundo ocidental contemporâneo, isto é, na sociedade secularizada, há grande competição entre diferentes religiões, e...

A satisfação de comemorar uma decisão acertada

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Sidnei Moura Nada melhor depois de algum tempo do que olhar para trás e convencer-se definitivamente de que a decisão tomada foi a melhor coisa a fazer diante de uma situação específica! É exatamente essa sensação que tenho hoje, nove de junho de 2012. Não sei se você teve uma experiência parecida, mas para mim foi uma decisão difícil de ser tomada e por essa razão exigiu  atitude. Já faz alguns anos e logo depois de tomá-la eu sabia que era a decisão correta, mas por estar  sujeito a falhar como todos mortais confesso: temi, e por algumas vezes me preocupei com as consequências da decisão. Fui pressionado: pessoas até do meu círculo íntimo como amigos e parentes não “aprovaram” logo de cara a minha decisão. Mas eu tinha certeza de que estava certo – havia tomado minha decisão com base na razão, e não nas emoções, e por esse motivo acreditei que, embora naquele momento as coisas não parecessem tão claras como desejava, o tempo se encarregaria em torná-las compreens...

Salvos da perfeição

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Elienai Cabral Jr. Deus de tão perfeito conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?  A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos.  Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.  Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Du...

Verdades e mitos sobre a páscoa

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Augustus Nicodemus Lopes Nesta época do ano celebra-se a Páscoa em toda a cristandade, ocasião que só perde em popularidade para o Natal. Apesar disto, há muitas concepções errôneas e equivocadas sobre a data. A Páscoa é uma festa judaica. Seu nome, “páscoa”, vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”, uma referência ao episódio da Décima Praga narrado no Antigo Testamento quando o anjo da morte “passou por cima” das casas dos judeus no Egito e não entrou em nenhuma delas para matar os primogênitos. A razão foi que os israelitas haviam sacrificado um cordeiro, por ordem de Moisés, e espargido o sangue dele nos umbrais e soleiras das portas. Ao ver o sangue, o anjo da morte “passou” aquela casa. Naquela mesma noite os judeus saíram livres do Egito, após mais de 400 anos de escravidão. Moisés então instituiu a festa da “páscoa” como memorial do evento. Nesta festa, que tornou-se a mais importante festa anual dos judeus, sacrificava-se um cordeiro que era ...

Teologia, narrativa e expiação

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Paulo Brabo – Você pode comer livremente de todas as árvores do jardim – orienta o criador ao Homem que não foi criança, – mas [1] o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer. No dia em que comer dele [2] você certamente morrerá. Pode ser necessário salientar que, em termos dramáticos, o enunciado da proibição (“nunca faça tal coisa”) é muitas vezes mais importante do que a ameaça complementar (“caso contrário tal coisa ocorrerá”). Para impulsionar a narrativa a proibição basta; a interdição já é conflito (isto é, atração) suficiente. Na maior parte das histórias, de Prometeu ao herói de Gremlins, o personagem só vai conhecer as consequências da sua transgressão depois de transgredir; ele ouvirá o “nunca faça tal coisa” sem ter verdadeira idéia do “caso contrário tal coisa ocorrerá”. Deus, no entanto, oferece ao Homem a essencial proibição [1] juntamente com a não essencial explanação complementar [2]. O que implica Adão conhecer previamente o ...