Teologia, narrativa e expiação

Paulo Brabo – Você pode comer livremente de todas as árvores do jardim – orienta o criador ao Homem que não foi criança, – mas [1] o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer. No dia em que comer dele [2] você certamente morrerá. Pode ser necessário salientar que, em termos dramáticos, o enunciado da proibição (“nunca faça tal coisa”) é muitas vezes mais importante do que a ameaça complementar (“caso contrário tal coisa ocorrerá”). Para impulsionar a narrativa a proibição basta; a interdição já é conflito (isto é, atração) suficiente. Na maior parte das histórias, de Prometeu ao herói de Gremlins, o personagem só vai conhecer as consequências da sua transgressão depois de transgredir; ele ouvirá o “nunca faça tal coisa” sem ter verdadeira idéia do “caso contrário tal coisa ocorrerá”. Deus, no entanto, oferece ao Homem a essencial proibição [1] juntamente com a não essencial explanação complementar [2]. O que implica Adão conhecer previamente o ...