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A arte e a comunicação da mensagem cristã

Mark Carpenter Quem pensa que sabe como são os africanos nunca imaginaria que Mia Couto fosse natural do continente negro. O romancista mais celebrado de Moçambique é branco, enche seus livros do realismo mágico da tradição latino-americana e tem um estilo que lembra Guimarães Rosa. Foi contado entre os melhores escritores africanos do século 20. Em entrevista recente ao Estadão, perguntaram-lhe se há influência brasileira em sua literatura. Respondeu: “Sim. Ela veio justamente da música de Chico, de Caetano. Muitos músicos moçambicanos tinham tentado cantar em português, mas o português duro, rápido, de Portugal, não tinha musicalidade. Aí ouvimos Chico, Caetano, Gil e descobrimos que o português poderia ser outra coisa. Foi uma descoberta.” Talvez tenha sido crítico demais ao português dos fadistas e trovadores, mas a descoberta de que a língua da mera comunicação corriqueira poderia ser também a língua da poesia e dos sonhos abriu-lhe um novo mundo. Muitos anos mais...

deus - status: desconectado

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Paulo Brabo Perto do final da vida o teólogo e ativista Dietrich Bonhoeffer começou a preocupar-se com o fato de que a compreensão cristã de Deus havia sido em grande parte reduzida ao status de uma muleta psicológica. Ele descreveu essa compreensão como um “ Deus ex machina ”. A expressão, que significa “deus proveniente de uma máquina”, refere-se originalmente a uma técnica usada na Grécia antiga, pela qual uma pessoa era descida ao palco através de um mecanismo, a fim de representar a entrada em cena de um ser sobrenatural. O processo, no entanto, ganhou uma má reputação quando muitos dramaturgos de segunda categoria começaram a usar esse artifício de modo indolente e arbitrário. Quando queriam matar um personagem, criar um novo desafio para o protagonista ou resolver um conflito do enredo, essas caras simplesmente arriavam um deus história adentro. Desse modo, o ser sobrenatural não era parte orgânica da história, mas uma presença intrusiva empregada unicamente para faz...

Pio 12, "o Papa de Hitler", teria salvado judeus, conclui pesquisador protestante

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Pio 12 Pio 12 foi vilificado como "o papa de Hitler", acusado de não condenar publicamente o genocídio dos judeus da Europa. Agora, um historiador britânico descobriu grande volume de materiais que fontes sobre o Vaticano acreditam poder restaurar a reputação do Pontífice, revelando o papel que ele desempenhou na oposição ao nazismo e no resgate às vítimas de perseguição nazista. O protestante Gordon Thomas obteve acesso a documentos que o Vaticano mantinha em sigilo e rastreou a localização de vítimas, sacerdotes e outras pessoas que até agora não haviam contado suas histórias. "The Pope's Jews" (o papa dos judeus, em tradução livre), que será publicado no mês que vem no Reino Unido, detalha a maneira pela qual Pio 12 permitiu o estabelecimento de refúgios para pessoas perseguidas no Vaticano e nos conventos e mosteiros da Europa. Ele comandava uma operação que utilizava codinomes e documentos falsificados, na qual padres arriscavam as vidas...

Eunucos

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Hermes Fernandes Nenhuma classe era tão menosprezada nos tempos bíblicos do que os eunucos. E a razão disso era muito simples: eles não podiam procriar. Fosse por razões orgânicas (costumavam ser castrados), ou por não sentirem-se atraídos pelo sexo oposto. Por conta disso, sofriam preconceito semelhante ao sofrido por mulheres estéreis. Na concepção judaica, a geração de filhos era a garantia da perpetuação da vida. A prole dava continuidade à saga da família. Na ausência destes, não haveria para quem deixar herança, que consistia não apenas em bens materiais, mas também no nome. A Lei era dura com relação aos eunucos. Eles sequer podiam entrar na congregação do Senhor (Dt.23:1). Neste mesmo capítulo, a Lei também exclui da comunidade israelita os filhos bastardos e os estrangeiros. Alguns pesquisadores propõem que esta exclusão pretendia apartar da assembleia da cidade os sacerdotes de deuses pagãos, dos quais muitos eram eunucos e bastardos (que por não terem direito a...

Longa-metragem baseado em obra de Edgar Allan Poe é produzido em São Carlos

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Oinos (Lucas Melges), Sara (Luiza Martins)  e demônio (Antonio Alves) em cena de "Silêncio e Sombra" [Foto: Larissa Colucci] Sidnei Moura Baseado em obra do intrigante escritor americano e gênio do suspense Edgar Allan Poe, “Silêncio e Sombra” é um longa-metragem que está sendo produzido em São Carlos - SP  sob direção de Roberto Maddallena, que também assina o roteiro. Como Maddallena define, “Silêncio e Sombra” não será um filme  de terror (característica que geralmente predomina nos filmes baseados em obras de Poe e que povoa o imaginário coletivo) mas “uma ficção-científica intimista tendo a morte e os sentimentos humanos relacionados a ela como temas”. O roteiro tem como pano de fundo uma pandemia viral apelidada de “Gripe Venezuelana”, que espalha o caos no mundo de 2017. Neste cenário, os personagens Sara (Luiza Martins) e Oinos (Lucas Melges) conduzem a trama entremeada de rompimentos, falsos pregadores, sombras e almas, demônios que aparecem em ...