7.6.08

Luz na Escuridão


Lazlo Tokes, pastor de uma pequena Igreja Reformada Hún­gara, situada em Timisoara, Roménia, pregava corajosamente o evangelho e em apenas dois anos o número dos membros dessa igreja havia aumentado para cinco mil.

Mas o sucesso pode ser perigoso em um país comunista. Aos domingos, as autoridades colocavam policiais armados com metralhadoras na frente da igreja. Contrataram assassinos para atacar o pastor Tokes, confiscaram seu talão de racionamento a fim de impedir que comprasse alimentos ou combustível. Final­mente, em dezembro de 1989, decidiram enviá-lo ao exílio.

Mas quando os policiais chegaram para levar o pastor à força, ficaram paralisados. Em volta da entrada da igreja havia uma parede humana. Membros de outras igrejas — Batista, Metodista, Pentecostal, Ortodoxa, — haviam se reunido para pro­testar.

Embora a polícia tentasse dispersar a multidão, as pessoas continuaram em seus postos o dia todo e após anoitecer. En­tão, pouco depois da meia noite, um jovem estudante batista de dezenove anos chamado Daniel Gavra tirou do bolso um pacote de velas. Acendeu uma e passou ao seu vizinho.

Então, acendeu outra e mais outra. Uma a uma as velas acesas foram passando entre a multidão. Logo a escuridão da noite de dezembro ficou iluminada com a luz de centenas de velas.
Quando o pastor Tokes olhou pela janela, foi inundado pelo afetuoso calor que emanava de centenas de rostos. Ali estavam inúmeros membros do corpo de Cristo que, ignorando completamente a divisão das denominações, davam as mãos em sua defesa.

A multidão ali permaneceu a noite toda e também na noite seguinte. Finalmente, os policiais avançaram. Destruiram a porta da igreja, ensanguentaram o rosto do Pastor Tokes e em seguida fizeram com que desfilasse, com sua esposa, através da multidão noite adentro. Mas isso não é tudo. As pessoas afluíram para a praça principal da cidade e começaram a fazer uma grande manifestação contra o governo comunista. E, novamente, Daniel distribuiu velas.

Primeiro eles haviam acendido as velas pela unidade cristã, agora as estavam acendendo pela liberdade.

Isso era mais do que o governo podia tolerar. Tropas foram trazidas com a ordem de abrir fogo contra a multidão. Cente­nas de pessoas foram atingidas. Daniel sentiu uma dor lancinante quando sua perna foi destruída. Mas o povo de Timisoara con­tinuou a enfrentar corajosamente a barragem de balas.

E, através de seu exemplo, inspiraram toda a população da Roménia. Dentro de poucos dias, toda a nação havia se suble­vado, e o sanguinário ditador Ceausescu foi deposto. Pela primeira vez em meio século, os romenos puderam celebrar o Natal em liberdade.

Daniel festejou o Natal no hospital onde estava aprendendo a andar com muletas. Seu pastor veio para lhe oferecer suas condo­lências, mas Daniel não estava procurando condolências.

"Pastor, não estou preocupado com a perda de uma perna", disse ele. "Afinal, fui eu que acendi a primeira vela".

A vela que iluminaria todo o país.

Que imagem mais poderosa — a escuridão de uma noite de dezembro que foi iluminada pelo fervoroso testemunho da unidade e da liberdade. Uma vela acesa por um adolescente cristão.



Sidnei Moura

Um comentário:

  1. Muuuito obrigado pelo carinho, Sidnei!

    Aproveitei a visita e added seu blog na minha lista de links.=]

    Big abraço e ótima semana.

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