29.8.16

Crise de confiança, renovação da política brasileira?

Paço municipal de São Carlos - sede do poder executivo
Humberto Laudares

O mundo está sofrendo de mal-estar. E a falta de confiança na política é uma das causas disso. Na medida em que as pessoas não se sentem representadas, cresce a manifestação individual ou de grupos que externam suas opiniões e visões de mundo – das mais interessantes às mais repugnantes – no palco digital hoje à disposição de todos. Há no ar uma sensação de que estamos em um processo de mudanças, sendo, entretanto, impossível prever sua direção ou tamanho.

O universo político ainda não se acomodou a essa nova realidade, embora seja constantemente desafiado por ela. A classe política parece encastelada diante desse mundo mais conectado, mais inquieto e mais exigente. Um mundo em que cresce a percepção da desigualdade econômica e do distanciamento dos políticos. É como se os governos e parlamentos estivessem a serviço de meia dúzia de endinheirados ou de ratazanas da política.

O terreno para populismos é fértil, haja vista o fenômeno de Donald Trump, a escalada da extrema direita europeia e o crescimento de nomes como Jair Bolsonaro no Brasil. O pior é observar a aparente falta de capacidade (ou ao menos humildade) por parte do establishment político em compreender que ele está na raiz desse problema e que precisa se reformar para dar respostas rápidas a essa sociedade insatisfeita. Essa “desconexão” tem seu preço.

Parte do que acontece no mundo, acontece no Brasil, embora haja particularidades locais. A política brasileira está no fundo do poço. A atual crise tornou a política pop, mas também alvo de repugnância coletiva. O cenário não é rotineiro, os problemas não são apenas conjunturais. Embora a base da política brasileira esteja apodrecida, a única via para consertá-la, democraticamente, é a própria política. Para isso, não há atalhos.

***

As causas que apontam uma quebra de confiança na política brasileira são variadas e correlacionam-se entre si. Vamos por partes.

Conflito geracional

A geração da Constituinte de 1988 detém o poder político desde a promulgação da Carta. Entre 1990 e 2016, o Brasil avançou muito, enriqueceu, internacionalizou-se e reduziu a pobreza e as desigualdades. Esta geração consertou erros provocados pela ditadura militar, instituiu a democracia no Brasil e fortaleceu as instituições republicanas.

Passados quase 30 anos, esta mesma geração, ainda analógica, mostra-se incapaz de compreender o mundo digital. Pior ainda, mostrou-se incapaz de formar sucessores políticos conectados com a sociedade. Nesse sentindo, as juventudes partidárias tornaram-se uma chocadeira de papagaios de pirata. Embora haja algumas (poucas) exceções, as juventudes partidárias foram treinadas para defender até as falhas do atual sistema político e seus caciques. Defender projetos de poder e não projetos para o país, para as pessoas.  Não é surpresa constatar que o personalismo ainda tem lugar cativo na cultura política brasileira.

Junho de 2013 foi um marco na história recente do país. Jovens, insatisfeitos com a representação política e com a qualidade dos serviços públicos, organizaram manifestações, empunhados de seus telefones celulares, para que suas vozes insatisfeitas fossem ouvidas. Em 2014, um grupo de pessoas não alinhado a partido algum se reuniu para organizar manifestações em todo o país em apoio ao candidato Aécio Neves. O próprio partido do então candidato, o PSDB, olhou tudo aquilo bestializado. “Como vocês organizaram isso tudo sem pagar ninguém?”, indagou um dirigente partidário municipal em São Paulo. Embora o PT tivesse atacado tais movimentações impiedosamente, o ex-presidente Lula disse em discurso na época “que era preciso entender o que estava acontecendo”, pois havia algo de “novo”. 

A partir de 2015 vários outros movimentos - de diferentes orientações ideológicas – se formaram. Muitos passaram a apoiar como pauta única o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Outros se fortaleceram para defender a permanência da presidente. Outros insistiram na convergência de ideias ou mesmo na defesa de mais e melhor participação dentro dos partidos políticos.

O que todos esses movimentos mostram é que a juventude está farta com o establishment político, mas está disposta a se organizar para mudá-lo.

Enquanto 59% dos eleitores têm entre 16 e 44 anos, a política ainda é comandada pela geração sexagenária. Para boa parte dos partidos, deputado novo significa ser filho de algum cacique antigo. Mais precisamente, segundo a ONG Transparência Brasil 49% dos deputados federais eleitos em 2014 pertence a dinastias políticas. O novo com cabeça e práticas velhas não conta.

O conflito geracional é causa da descrença na política, mas também é parte da solução.

Um choque chamado Lava Jato

A geração da Constituinte montou o atual sistema político e a forma de financiá-lo. Na recente democracia brasileira, as elites política e econômica criaram um acordo tácito de que “caixa dois” nas eleições era algo moralmente aceitável, embora não fosse legal. Portanto, foi criada uma nova classificação de “honestidade” no ambiente político. O político “honesto” operava por meio de caixa dois – para financiar a campanha eleitoral ou pagar “líderes comunitários” -, mas não se enriquecia com esse dinheiro. Já o corrupto fazia de tudo. O “caixa dois” foi praticamente institucionalizado no Brasil.

Naturalmente, surgem as indagações: quem garante para onde o dinheiro do “caixa dois” vai realmente? Quem pode dizer quem rouba mais ou menos? Se “caixa dois” é ilegal, como pode ser justificável?

A operação Lava Jato, liderada por uma geração nova de juízes e procuradores, escancarou a todo mundo os meandros mais podres do financiamento político brasileiro e da relação incestuosa entre mercado e Estado. A corrupção que era apenas pressentida, agora estava ali escancarada, revelada em seus métodos e personagens. Se alguém tinha alguma dúvida de que o sistema político atual estava falido, passou a ter certeza.

Como confiar nessa política?

Decrepitude dos partidos políticos

Os partidos políticos brasileiros têm grandes diferenças, mas há muitas semelhanças. A primeira delas é que ainda são controlados por seus fundadores após 30 anos de existência, não têm mecanismos de governança inclusivos e eficientes, não desenvolveram novas lideranças e estão perdidos diante da atual crise política. Além disso, não gozam de nenhuma confiança da sociedade. 77% das pessoas não confiam em partido nenhum, segundo o instituto Ipsos (2016). Já o Datafolha (2015) mostra que 75% das pessoas não têm partido de preferência e 91% não confiam em partidos políticos.

Enquanto muitos políticos levantam a bandeira da reforma política como solução única para melhorar a política, nenhum deles defendeu uma reforma partidária.  Os partidos detêm uma espécie de monopólio da representação, já que o único caminho para candidatar-se a um cargo eletivo é através de uma legenda. Além disso, recebem recursos públicos para prestar tais serviços (R$ 737,9 milhões em 2016), mas não dão transparência à sociedade sobre como tais recursos são gastos.

Como confiar na política sem confiar nos partidos?

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A desconexão de Brasília com o Brasil é um sinal de orfandade política da sociedade brasileira. Uma das consequências da falta de confiança na classe política é a recente ascensão do radicalismo.

Radicalismo...

O brasileiro, em geral, não era muito ligado à política. Segundo variadas pesquisas de opinião, isso tem mudado desde 2013. Mas, mesmo assim, a profundidade dos debates políticos travados nas redes sociais ou mesmo nas ruas deixa a desejar. É como se a desinformação encontrasse com a insatisfação, resultando em um grau de radicalismo amedrontador, agravado pela falta de esperança da melhora da economia no curto prazo e por vícios da própria cultura política.

Se por um lado, o discurso típico do PT de “nós contra eles”, radicalizado na campanha presidencial de 2014, foi usado por movimentos políticos como argumento justificador para se fazer oposição a qualquer custo. Por outro, as redes sociais confirmam vieses cognitivos e fomentam ainda mais a radicalização.

O maior símbolo da radicalização burra vista na política brasileira foi o muro instaurado na Esplanada dos Ministérios para a votação do impeachment da presidente Dilma na Câmara dos Deputados. Dentro da Câmara, o comportamento dos parlamentares não diferia muito dos militantes expostos ao sol e aos gritos de guerra. 

O radicalismo sempre teve uma serventia histórica no Brasil para perpetuar o “status quo”. É um reflexo de nossa cultura política autoritária, sendo também cultivado e instrumentalizado pelas instituições políticas, a exemplo dos partidos políticos. Não há nada mais conveniente do que aglutinar pessoas em grupos de “nós contra eles”, apelando para a emoção, em vez de debater problemas e tentar encontrar soluções. Não há frase melhor para exemplificar esse discurso do que a do general Médici: “Brasil, ame ou deixe-o”. Afinal, se todos estivessem preocupados em resolver um problema único, o radicalismo seria dissolvido. As diferenças aparadas, a construção seria conjunta, a despeito de naturais divergências ideológicas ou interesses distintos.

Um exemplo interessante desta dinâmica é o Conselho Federal Suíço. A Suíça não tem um presidente ou primeiro-ministro, tem sete. Desde 1848, sete membros de diferentes partidos, segundo sua força eleitoral, revezam na presidência do país no período de um ano. De forma geral, a composição do Conselho Federal acaba sendo formada por dois radicais, dois democratas cristãos, dois socialistas e um democrata de centro. Cada um dos ministros dirige um “ministério”. O governo funciona como órgão coletivo, sendo que as decisões tomadas valem como decisões do colegiado – e não de um partido X ou Y. Os comunicados oficiais expressam a opinião do Conselho, ressaltando que “o governo decidiu...”. Mesmo que a decisão governamental vá de encontro a agendas partidárias, uma vez votada, a decisão deve ser respaldada pelos sete ministros.

Não estou sugerindo que o Brasil tenha sete presidentes. Mas imagine se os partidos políticos se concentrassem em encontrar soluções para a educação e a saúde no país? Imagine se os partidos políticos funcionassem como organizações focadas em resolver o problema das pessoas e promover efetivamente o desenvolvimento?

... Seguido da pasmaceira desconcertante

Não creio que o que sucederá a tempestade será a calmaria. Toda agitação durante e após as eleições de 2014 parecem ter arrefecido no momento em que o processo de impeachment da presidente Dilma foi acatado pelo Senado Federal. As pessoas parecem estar cansadas de falar no assunto.

Essa sensação de pasmaceira deve ser temporária. O futuro político do governo interino deverá se encerrar em 2018. O governo Temer já penhorou o prometido ajuste fiscal, dando um passa-moleque no famigerado mercado financeiro. Jogou a culpa na suposta pressão do Congresso. Ministros como o da Saúde, Ricardo Barros, e o da Justiça, Alexandre de Moraes, já deram seguidas declarações de que têm pacto com o atraso. Acreditar que o governo Temer terá algum compromisso com a ética ou com o futuro é acreditar em conto de fadas. Isso não significa que não possa haver progressos em áreas específicas, devido ao desempenho de um ou outro ministro. Nada é absolutamente ruim – nem mesmo o governo Dilma foi.

O Brasil vive um clima de distopia, que, em última análise, favorece a mesmice, a mediocridade reinante na política brasileira.  O PMDB no poder simboliza de forma emblemática esse sentimento.

***

Para aqueles que militam por uma política mais limpa, inclusiva e representativa, como eu, é conveniente achar que estamos vivendo um ponto de inflexão. É claro que é um “wishful thinking” (consciente). Nós só viveremos um ponto de inflexão se formos competentes para construir coletivamente um projeto de futuro capaz de levar a política brasileira a um novo patamar.  Uma política pautada por princípios e comprometida com a resolução dos grandes problemas do país – e não com a política paroquial que tenta agradar a qualquer custo currais eleitorais ou categorias de classe. No atual estágio, não há futuro melhor para o país sem renovar a política com ideias e pessoas. Sem corrigir os problemas atuais e fazer da transparência uma ferramenta de prática política, a fim de resgatar a confiança entre cidadãos e representantes.

Ao mesmo tempo, não podemos menosprezar a enorme força da inércia e do atraso. Com base nas mudanças eleitorais aprovadas pelo Congresso, as próximas eleições irão privilegiar candidatos com mandatos, com fama, com facilidade de fazerem caixa dois ou que tenham muito dinheiro.

A proibição de doação de empresas para campanhas políticas, aliada a um maior risco de punição de “caixa dois”, devido à Lava Jato e à improbabilidade do cidadão brasileiro comum em doar dinheiro para eleições, poderá prejudicar ainda mais a renovação qualitativa de quadros eleitos. Em uma eleição o que importa não é quanto um candidato gasta, mas quanto o seu concorrente gasta. Portanto, candidatos ligados a igrejas e ao crime - ambientes mais propícios à arrecadação de recursos e à arregimentação de eleitores - terão vantagem competitiva. O mesmo tende a ocorrer com candidatos que já ocupam algum cargo eletivo ou contem com o apoio de algum governante. Outra opção seria lançar artistas de TV como candidatos, pois, embora não conheçam política ou políticas públicas, já são conhecidos pelo público.

Nem sempre regras pretensamente moralizadoras atingem os objetivos anunciados. Ao se tentar restringir a influência do poder econômico, deu-se maior peso ao poder político, promovendo desequilíbrio e dificultando ainda mais a desejável e necessária renovação. Parece que este poderá ser o caso das eleições municipais de 2016.

***

Diante desse cenário desalentador, como podemos fazer da crise uma oportunidade de melhorar a política? Como influenciar os partidos para se renovarem? Como construir consensos, aparar arestas e reduzir os radicalismos? Como pactuar uma agenda de futuro para o Brasil? Como renovar a política com ideias e com pessoas? Como mudar as regras que regem o financiamento eleitoral e garantir transparência à sociedade?

Não há prognósticos fáceis para questões tão complexas. Mas a bela abertura da Olimpíada nos oferece algumas dicas. A reação do público ao evento mostrou que o brasileiro sofre de uma carência coletiva. Está com a autoestima abalada. Mostrou, também, que a maioria dos brasileiros, independente de preferência político-partidária, tem a capacidade de concordar em temas essenciais para o desenvolvimento global, tais como a sustentabilidade, a diversidade e o respeito aos direitos humanos.

Se o brasileiro estava com saudades de sentir orgulho de seu país, por que não poderá se mobilizar para resolver os problemas comuns inerentes à política? É claro que não há relação clara entre a insatisfação e a ação, sobretudo quando precisa ser coletiva. Mas pode haver um germe da mudança aí.

Após algum tempo militando por uma política que viabilize um futuro mais próspero para o Brasil, que garanta igualdade de oportunidades para todos e faça o brasileiro voltar a sonhar com um futuro melhor, confesso que a única conclusão a que cheguei é que a reposta terá que vir da sociedade. Não virá dos atuais políticos. Não virá dos partidos. Não virá dos gritos de guerra, nem dos panelaços, muito menos dos tuitaços. Não virá de apenas uma fonte, de um bairro, de um gênero ou de uma classe social.

A sociedade, em sua pluralidade, precisa ocupar a política para que ela trabalhe em benefício de todos – e não de alguns. A renovação na política terá que ocorrer também nas casas legislativas e no comando dos poderes executivos. Não se muda a realidade de um país apenas com postagens de Facebook ou passeatas na rua, pois é preciso mudar leis, regras, práticas, decisões e líderes. A renovação na política brasileira é, hoje, a única forma de resgatar a confiança na política, na democracia. E seria apenas um passo necessário, mas não suficiente.

E como será isso? Não sei. Mas certamente a sua participação, a de cada um de nós, fará a diferença.

Humberto Laudares é especialista em políticas públicas. É candidato ao Ph.D. em Economia pelo Graduate Institute, Genebra, mestre em política econômica pela Universidade Columbia, graduado em Administração pela FGV-EAESP e Ciências Sociais pela USP.  É um dos fundadores do movimento socialdemocrata Onda Azul.

Fonte: Nexo Jornal

16.8.16

O início da campanha eleitoral e a oportunidade de mudanças

Plenário da Câmara Municipal de São Carlos:
quem serão os ocupantes das 21 cadeiras da próxima legislatura?

Sidnei Moura

Começa hoje a campanha eleitoral para vereadores e prefeitos em todo o território nacional. A partir da data de hoje são permitidas as ações de campanha nas ruas com panfletagem, carros de som e visitas aos eleitores. A partir do dia 26, a campanha eleitoral começa também na TV e no rádio com os programas dos candidatos de todas as cidades. Tudo normal, você pode estar pensando, afinal estamos acostumados com a repetição desse processo a cada dois anos. Porém,a campanha eleitoral de 2016 e todo o processo eleitoral poderá se apresentar como um divisor de águas, iniciando um novo ciclo na história política brasileira.

Como é do conhecimento de todos, as regras do jogo mudaram: a campanha está mais curta, os gastos estão limitados e não é mais permitido o financiamento das campanhas por meio de doações de empresas. Por outro lado, a nova legislação abriu um espaço bastante interessante de apresentação dos candidatos que foi denominada como “pré-campanha” – um período onde os pré-candidatos puderam se aproximar de seu eleitorado para ouvir suas demandas e assim formatar seus projetos e propostas, como também possibilitou ao eleitor a oportunidade de colaborar com a campanha de seu candidato por meio de doação particular – outro grande salto democrático de aproximação entre o candidato e seus eleitores.

Apesar de substanciais, as mudanças do atual regime de organização e realização das eleições não para por ai – existem outros fatores importantíssimos que ganham destaque nessa corrida eleitoral como resultado de um período atípico de nossa história política, fatores que poderão fazer a diferença nas urnas no dia 2 de outubro: refiro-me à desconfiança generalizada  a que a classe política está submetida na ótica do eleitorado brasileiro.

É fato que a corrupção generalizada, a inércia das autoridades, a insatisfação com os serviços públicos e a baixa produtividade dos políticos influencia o processo desde sempre, mas nesse ano observamos que o país vive o ápice de uma crise moral, política e financeira cuja responsabilidade recai diretamente nas costas dos governantes eleitos, que por sua vez tem tido dificuldades em ter seu trabalho reconhecido. Vivemos uma crise de representação política em que, mesmo entre os eleitores mais otimistas, é latente a rejeição aos quadros que hoje ocupam o poder nos municípios, estados e na união. Há um clamor nacional por renovação.

Assim sendo, acredita-se que candidatos que nunca ocuparam cargos eletivos tenham alguma vantagem nesse pleito que se inicia em relação aos demais. Mas não bastará ser um nome que represente apenas renovação em termos específicos: candidatos ficha limpa e com trabalho realizado e reconhecido em prol da sociedade poderão surpreender figurões já consagrados no meio político nos municípios, o que poderá resultar em trocas substanciais dos atuais quadros.

Você já escolheu os seus candidatos? Está atento as suas experiências, a sua trajetória de vida, às suas propostas e opiniões sobre os temas de interesse para seu município? É chegado o momento de deixarmos nossa zona de conforto e nossa antipatia à política e nos aproximarmos de nomes que nos represente com clareza. É momento de renovar com experiência e com novas ideias, a fim de que deixemos para trás esse período de estagnação e de improdutividade política a que nos submetemos nos últimos anos. As mudanças começam pelos municípios!

14.6.16

Cerimônia de posse no Conselho Municipal de Educação de São Carlos / SP

Fui nomeado pelo prefeito de São Carlos Paulo Altomani (PSDB) juntamente com outros colegas professores, alunos, servidores da educação pública (municipal e estadual), instituições de nível superior, mantenedoras de escolas privadas e representantes da sociedade civil como membro do Conselho Municipal de Educação. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do município no dia 02 de junho, e a cerimônia da posse ocorreu no dia 07 de junho, no Auditório Bento Prado, no Paço Municipal, sede da Prefeitura Municipal de São Carlos.

Print da publicação do Diário Oficial

Prefeito Paulo Altomani

Conselheiros e convidados

Conselheiros nomeados

Com Douglas Marangoni, Secretário de Educação

Com Luis Antonio Garmendia, Secretário de Comunicação

Com o prefeito Paulo Altomani e minha irmã Sara Moura

11.5.16

Eis a profecia

Rodrigo da Silva

Eis a profecia.

O governo irá cair. Os cineastas irão protestar. Os funcionários públicos pelegos também. Os políticos com rabo preso e os ministros que não querem largar a boquinha seguirão pelo mesmo caminho. Líderes do movimento sem-teto abrirão passeatas, a partir de suas casas. E serão seguidos pelos líderes do movimento sem-terra, em seus caminhões.

Todos irão às ruas: sindicalistas que não trabalham, estudantes que não estudam, professores que não ensinam, jornalistas que não informam, economistas que não pesquisam, intelectuais que não pensam, eruditos que não leem, revolucionários que não lutam contra o regime.

A rua será uma coleção dos mais diversos tipos. Terá de tudo. Blogueiros independentes dependentes do governo, artistas contra a Globo que não protestam para sair da sua folha de pagamento, progressistas que combatem o progresso, políticos de partidos proletários que não recebem os votos dos trabalhadores, reitores em defesa da democracia simpáticos a ditaduras de esquerda, religiosos comunistas, humoristas sem graça, representantes fidedignos da cultura popular que os populares desconhecem, consumistas críticos da sociedade de consumo, ideólogos isentos, rebeldes defensores do status quo, formadores de opinião que ninguém conhece, líderes de plebeus de classe média alta.
Todos com o mesmo objetivo: defender o governo. 

E não sem razão. Todos lucrando em torno de um projeto que agiganta o Estado, concedendo benefícios, privilégios e dividendos a eles mesmos - uma casta de nobres que sobrevive graças à grana fácil dos pagadores de impostos, em sua imensa maioria gente simples. De uma elite de funcionários oficiais e semi-burocratas que demoniza a diminuição dos gastos e das atribuições estatais, criando monstros neoliberais invisíveis, manipulando a opinião pública, pregando a benevolência altruísta e romantizando teorias políticas e econômicas que se provaram desastrosas no último século, apenas porque isso se traduz em manter seus privilégios e suas contas em dia. E tudo isso com o apoio de parte de uma juventude lobotomizada em sala de aula.

Todos desavergonhadamente contraditórios, incoerentes e paradoxais: pretensos líderes de uma intelligentsia nacional cada vez mais entorpecida pela ignorância, partidários da histórica corrente política do farinha pouca, meu pirão primeiro.

Fonte: Spotniks

29.3.16

Meu retorno ao rádio [2]


No último domingo, dia 28, retornei ao rádio após alguns anos longe dos microfones. 

Comecei no rádio com 16 anos - na ocasião, pertencia a uma denominação evangélica pentecostal, e meu irmão mais velho havia recentemente aceitado o convite para conhecer os estúdios da emissora onde a igreja mantinha um programa diário, ocasião em que também foi convidado a assumir a apresentação da programação em um dia da semana. 

Algum tempo depois, motivos de saúde o impediram de comparecer em um dia para apresentar, e o substitui. Naquele dia, eu que já era um admirador do rádio por apenas escutar diariamente, me apaixonei pelo trabalho, e tornei-me um dos apresentadores fixos da semana. 

Mesmo antes de começar, sempre ouvi elogios ao meu timbre de voz e a dicção que possuía: na igreja eu era sempre convidado pelos departamentos para apresentar e narrar em congressos e eventos, e minha ida para o rádio confirmou que tudo aquilo não era apenas um dom natural ou vocação, mas amor ao trabalho vocal, que por sua vez foi coroado, agora, com uma audiência considerável.

Por nove anos consecutivos passei por cerca de cinco emissoras de rádio AM, FM e comunitárias em São Carlos e região apresentando programas religiosos, de variedades, de notícias e musical. Em 2006, ingressei no curso de Radialismo - Setor Locução, no SENAC - Serviço Nacional do Comércio - entidade referência na área em suas diversas agências espalhadas pelo Brasil, e passei a aliar a experiência já adquirida na prática com o conhecimento teórico aprendido com os melhores profissionais do ramo na época. Além do diploma, obtive também o registro profissional junto ao DRT, e assim poderia atuar em qualquer emissora de rádio e também de televisão

Em 2008, ingressei na faculdade de Letras, e me afastei do rádio, mas não dos trabalhos de locução. Gravei comerciais para emissoras de rádio e serviços de carro de som, e tive a oportunidade de integrar o elenco de um filme independente que foi gravado em São Carlos, ocasião em que atuei como um locutor noticiarista em uma dramática história de caos apocalíptico baseada em dois contos de Edgar Allan Poe. Em 2012 licenciei-me em Letras, e no mesmo ano tornei-me professor de Língua Portuguesa na rede estadual de ensino de São Paulo.

Ao completar cinco anos de trabalho como professor, e ter a voz reconhecida por boa parte dos meus alunos durante esse período como "voz de locutor de rádio", passei a considerar a possibilidade de retornar ao rádio com uma programação própria, produzida e dirigida por mim mesmo. Foi quando procurei uma emissora comunitária da minha cidade com concessão do poder público para operar, e apresentei meu projeto, que após ser aprovado foi patrocinado por um comerciante da região, possibilitando meu retorno aos microfones.

Assim, estreei no último domingo o programa Sunset, com uma proposta diferente de tudo aquilo que já produzi no rádio em meus 9 anos de experiência: uma programação leve que privilegia a qualidade, a boa música, e a informação com credibilidade.

O programa Sunset vai ao ar todos os domingos às 17 horas pela RCA FM 107,9. Na frequência modulada, o alcance da emissora, por ser comunitária, abrange apenas a cidade de São Carlos, mas a programação também é transmitida pela internet, que além de disponibilizar o sinal para qualquer lugar oferece também a possibilidade de ouvir por meio de um aplicativo para android que pode ser baixado gratuitamente no site da emissora. Além do site, minha proposta de trabalho é fazer das redes sociais uma extensão do programa,oferecendo conteúdo relacionado à programação como clipes das músicas tocadas, notícias e interação com o público.

Acesse o site da Radio RCA FM para ouvir a programação e baixar o aplicativo para Android

Acesse a página oficial do programa SUNSET no Facebook
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